Bolsonaro sanciona proposta que prorroga prazo para crédito de ICMS

Texto alonga prazo para 13 anos, para coincidir com o fim dos incentivos fiscais previstos na legislação

Projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional

Projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional

Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro sancionou na sexta-feira (27) proposta que adia de 2020 para 2033 a possibilidade de empresas exportadoras usarem créditos do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O projeto foi aprovado pela Câmara e pelo Senado.

A Lei Kandir determina que empresas podem ter créditos sobre produtos exportados.

Originalmente, no entanto, os Estados poderiam se apropriar dos créditos relativos ao que as empresas pagam sobre energia, comunicações e insumos não usados no produto exportado até 1º de janeiro do ano que vem.

Agora, o texto sancionado alonga esse prazo por mais 13 anos. O período foi escolhido para coincidir com o fim dos incentivos fiscais previstos na legislação.

O objetivo do projeto é evitar perdas de arrecadação do ICMS para os estados, que cobrariam da União o montante que deixariam de receber porque a Lei Kandir prevê a isenção de tributos para produtos exportados.

Segundo o relator do projeto na Câmara, Mauro Benevides Filho (PDT-CE), o impacto direto para os estados seria de R$ 31 bilhões a menos em suas arrecadações anuais.

No Senado, o senador Cid Gomes (PDT-CE), relator do projeto, afirmou que os Estados teriam um "impacto fulminante nas suas receitas e no seu equilíbrio fiscal" caso o texto não fosse sancionado pelo presidente.

De acordo com o relator, se a apropriação não fosse adiada, São Paulo teria um impacto de R$ 10 bilhões ao ano a partir de 2020 nas contas estaduais.