Desembargadores negam pedido de mais tempo para defesa de Lula

Zanin alega que foi atacado pelo procurador regional da República Maurício Gotardo Gerum, do MPF, em sua manifestação

TRF4 julga condenação sobre sítio de Atibaia

TRF4 julga condenação sobre sítio de Atibaia

Raul Pereira/ Fotoarena/ Estadão Conteúdo - 27.11.2019

Cristiano Zanin, defensor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é o primeiro advogado a fazer sua sustentação oral na sessão da Oitava Turma do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que julga na manhã desta quarta-feira (27) a condenação do petista no caso do sítio de Atibaia (SP) — no qual ele foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão em primeiro grau em fevereiro.

Assista à sessão que julga possível anulação do processo de Lula

Zanin, antes de iniciar sua defesa, pediu tempo maior que os 15 minutos dada aos defensores e ao Ministério Público Federal, por alegar que foi atacado pelo procurador regional da República Maurício Gotardo Gerum, em sua manifestação. O procurador da Lava Jato acusou a defesa de Lula de excesso de recursos para tentar levar o processo a prescrição.

Os desembargadores João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato, Carlos Eduardo Thompson Flores, presidente da 8ª Turma, e Leandro Paulsen, negaram o tempo extra e afirmaram que Gerum não atacou nem tentou censurar a defesa, como alegou Zanin.

Ao contrário do primeiro julgamento de Lula no TRF4, Corte de apelação da Lava Jato, em janeiro de 2018, quando o ex-presidente foi condenado em segundo grau no caso do triplex do Guarujá (SP), a movimentação é tranquila nesta quarta-feira. Desde as 9h, os desembargadores do Tribunal estão julgando recurso da ação na qual Lula foi condenado em primeira instância pela juíza Gabriela Hardt, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O esquema de segurança reforçado no entorno do prédio-sede do Tribunal foi mantido, mas não havia manifestações de apoiadores do petista. A chuva que cai sobre a capital gaúcha também atrapalhou aglomerações na área.

Na sala de imprensa o movimento também é reduzido. Cerca de 20 jornalistas acompanham a sessão de um telão. Em 2018, jornalistas de outros países lotaram as dependências da Corte.