'Marta não é bem-vinda', diz Stédile em evento do MST

Foi a primeira vez que um líder importante do PT manifestou veto à volta dela à legenda. Movimento é hoje uma das principais forças na base do partido

Marta tenta reaproximação com esquerda depois de se desfiliar do MDB

Marta tenta reaproximação com esquerda depois de se desfiliar do MDB

Gervásio Baptista/Agência Brasil

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) fechou a porta para a volta da ex-prefeita Marta Suplicy ao PT.

Em evento realizado neste sábado (14), em Guararema (SP), João Pedro Stédile, da coordenação nacional do movimento, manifestou diante de lideranças petistas o descontentamento com uma possível volta de Marta ao partido.

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“Marta não é bem-vinda [de volta ao PT]”, resumiu Stédile.

Foi a primeira vez que um líder importante do partido manifestou publicamente o veto à volta de Marta à legenda.

O MST é hoje uma das principais forças na base do PT. Na plateia estavam o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos vice-presidentes da legenda, e Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL.

Marta deixou o partido em 2015 com fortes críticas aos casos de corrupção envolvendo integrantes do partido revelados nos escândalos do Mensalão e Lava Jato e se filiou ao MDB.

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No ano seguinte, a então senadora votou a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff e, depois, se incorporou à base de apoio de Michel Temer.

Há alguns meses, no entanto, ela tenta uma reaproximação com a esquerda depois de se desfiliar do MDB.

O movimento teve reação positiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que em uma entrevista disse que Marta foi a “melhor prefeita que São Paulo já teve”.

Respaldados por Lula, alguns líderes do PT tentaram articular a volta dela ao partido, mas a hipótese mais provável é que Marta se filie a outra legenda.

Lula projeta uma chapa com a ex-prefeita como candidata a vice de Fernando Haddad.

Em jantar com advogados do grupo Prerrogativas, duas semanas atrás, ele disse estar à disposição para cumprir qualquer papel que ajude na formação de uma frente de centro-esquerda capaz de se opor ao governo Jair Bolsonaro.

Segundo João Paulo Rodrigues, que também integra a coordenação nacional do MST, o movimento aceitaria a presença de Marta em uma chapa com Haddad (que também é o preferido dos sem-terra).

“Aliança é possível. Já votamos no [Mário] Covas contra o [Paulo] Maluf [na eleição para o governo de São Paulo em 1998], né?”, lembrou o líder sem-terra.

O veto do movimento a Marta aconteceu durante o encontro de fim de ano dos amigos do MST na Escola Nacional de Formação Florestan Fernandes, em Guararema (SP).