Moro diz que criminalidade poderia ser menor com pacote anticrime

Durante entrevista à Jovem Pan, o ministro da Justiça e Segurança Pública destacou a queda nos números de homícidios e da aprovação de proposta

Moro disse que Lula faz parte do passado

Moro disse que Lula faz parte do passado

Rafael Marchante/Reuters - 28.05.2019

Em entrevista à rádio Jovem Pan na manhã desta quarta-feira (4), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, destacou a queda dos índices de crimes em 2019, mas ressaltou que os números poderiam ser ainda melhores com a aprovação da proposta.

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“O governo encaminhou o projeto, nós acreditamos nele. Temos visto os índices de criminalidade serem reduzidos desde o começo do ano, em uma ação relevante dos governos estaduais e do governo federal, mas achamos que poderíamos melhorar muito o quadro da justiça e segurança pública caso fosse aprovado o projeto. Depois do encaminhamento, no entanto, a responsabilidade cabe ao Congresso, que controla a pauta dele. Nós esperamos respeitosamente que seja aprovado”.

De acordo com o ministro, até setembro os homicídios diminuiram 22%. “Nós poderemos fazer muito mais pela segurança pública. Não queremos levantar troféu, mas sim aprovar um projeto bom para a população já que, apesar da redução dos índices criminais, eles inda estão muito elevados”, disse.

Parcialidade no julgamento contra Lula

Durante a entrevista, Sergio Moro aproveitou para criticar a suposição de que sua decisão no julgamento contra o ex-presidente Lula, no caso do triplex do Guarujá, teria sido parcial. 

"É uma fantasia, uma farsa esse tipo de argumento. Eu não estou preocupado com esse julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal), que é um tribunal de grande força, que faz um trabalho relevante. Mas a tese da defesa [de Lula] não corresponde com a realidade dos fatos”, afirmou. “O que se argumenta, ali, é que eu teria tido alguma atuação parcial, com objetivo político-partidário. A tese [da defesa] é complicada porque a minha sentença foi confirmada pelo Tribunal Regional da Quarta Região e pelo Supremo Tribunal de Justiça. Então assim, eu teria sido parcial, mas e os demais? Porque confirmaram a sentença?", indagou o ministro.

Moro também argumentou que na época do julgamento não conhecia Jair Bolsonaro e disse que essa alegação é uma "farsa grotesca". "Em segundo lugar, com todo o respeito, essa alegação é uma farsa grotesca da realidade. Eu sequer conhecia o presidente [Jair Bolsonaro] antes de me encontrar com ele pessoalmente em 1º de novembro de 2018, enquanto proferi a sentença de Lula em 2017. Então é algo impossível. A única situação diferente foi encontrar Bolsonaro em um aeroporto em 2016, isso foi até filmado, eu o cumprimentei rapidamente. Tenho o costume de dizer que o ex-presidente Lula faz parte do meu passado e prefiro que fique lá”.

Segunda instância

Sergio Moro evitou fazer críticas ao ser questionado sobre a possibilidade de atuação do Congresso Nacional para que a prisão após segunda instância seja permitida. 

"A meu ver, essa é uma questão urgente. Se o Congresso quer mudar a regra, como o Supremo sinalizou que poderia, não vejo motivo pra não fazer agora. Se tem maioria, se tem vontade de fazer, faça, então. Mas ressalto que a decisão cabe exclusivamente ao Congresso e nós respeitaremos”, afirmou.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Ingrid Alfaya