A bandidagem aplaude o discurso de Augusto Aras 

Procurador-geral da República declara guerra à Operação Lava Jato

O procurador-geral da República, Augusto Aras

O procurador-geral da República, Augusto Aras

José Cruz/Agência Brasil - 01.10.2019

Ao cumprir a norma constitucional segundo a qual todos são iguais perante a lei, a Operação Lava Jato mudou a face e lavou a alma do país onde só eram presos os três pês: pobres, pretos e prostitutas. A partir de 2014, a ofensiva anticorrupção que juntou integrantes do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal engordou a população carcerária com mais alguns pês: políticos, plutocratas e outros poderosos patifes.

Nenhuma operação do gênero, aí incluída a italiana Mãos Limpas, foi tão longe. Nenhuma demonstrou tamanha eficácia. Montanhas de provas materiais e cortejos de delações premiadas transformaram numa espécie em extinção os que se julgavam condenados à perpétua impunidade. Entre tantos figurões  supostamente inimputáveis, foram parar na gaiola um ex-presidente da República, os maiores empreiteiros do país, empresários até então intocáveis, diretores da Petrobras, um ex-presidente da Câmara, parlamentares de todos os partidos, vários tesoureiros do PT e outras ramificações da tribo dos larápios da classe executiva.

Previsivelmente, a operação transformou-se no grande Satã das vítimas do extraordinário avanço civilizatório. O contra-ataque começou com os quadrilheiros, seus advogados, parentes e amigos. Cresceu com a adesão de procuradores invejosos, juízes desonestos e policiais bandidos. Ganhou contornos histéricos com a gritaria do PT e envolveram até um vigarista americano que, depois de advogar em favor de produtoras de filmes pornôs, fantasiou-se de jornalista para defender obscenidades políticas.

Até aí, nenhuma grande surpresa. Assombrosa foi a entrada em cena do procurador-geral da República, Augusto Aras, a bordo de um discurso enfurecido que qualquer Gleisi Hoffmann subscreveria sem ressalvas. No mundo inteiro, a Lava Jato é festejada como solução. No Brasil, tornou-se o maior problema de Augusto Aras. É evidente que o problema é o procurador-geral.