Ciro Gomes rima com grosseria

Como fatos são insensíveis a ataques de nervos, a cidade de Sobral continua exibindo números que desmoralizam o clã dos Ferreira Gomes

Ciro está pronto para o quarto fiasco como candidato à Presidência

Ciro está pronto para o quarto fiasco como candidato à Presidência

Adriano Machado/ Reuters - 08.03.2018

Na campanha eleitoral de 2002, Ciro Gomes desfiava promessas inviáveis no horário eleitoral numa emissora de rádio quando um ouvinte lhe perguntou se por acaso era candidato a presidente da Suíça. "Lá é parlamentarista", irritou-se o orador. "É só um aviso aí pra esses petistas furibundos. Tem que fazer as perguntas com um pouco mais de cuidado pra largar de ser burro". Demorou alguns dias para balbuciar o inconvincente pedido de desculpas e recitar a frase tão verdadeira quanto uma cédula de 3 reais: "Nunca agredi ninguém em minha extensa vida pública". Semanas depois, convidado a explicar o papel que seria desempenhado durante a campanha pela atriz Patrícia Pillar, com quem estava casado, resumiu: dormir com o candidato.

Ciro rima com grosseria desde a primeira aparição num palanque. Em 1994, quando ainda se enfeitava com plumas de tucano, foi à luta contra o partido do qual seria parceiro poucos anos mais tarde: "Os políticos do PT são uns mijões nas calças", garantiu numa entrevista. O cearense nascido em Pindamonhangaba, no interior paulista, muda de partido e de discurso como quem muda de roupa. O que não muda é a alma de coronel mimado, que transformou Ciro Gomes no maior adversário de si mesmo.

Em 2009, o então deputado federal irrompeu no plenário da Câmara bravo com os colegas que achavam prudente usar a cota de passagens aéreas com menos desfaçatez. "Até ontem era tudo liberado!", esbravejou. "Então, por que mudar? É um bando de babacas!". Enfureceu-se quando soube que viera do Ministério Público a informação de que havia financiado com dinheiro da Câmara, tungado dos pagadores de impostos, um giro internacional da mãe. "Ministério Público é o caralho!", caprichou. "Não tenho medo de ninguém! Da imprensa, de deputado! Pode escrever o caralho aí!", recomendou aos jornalistas. Foi atendido.

Em 2017, resolveu chamar para a briga o ainda juiz Sergio Moro. "Hoje esse… esse Moro resolveu prendê um… um bloguero?", desandou no meio de uma entrevista o campeão de bravatas e bazófias. "Ele que mande me prendê, que eu recebo a turma dele na bala". Endereçado ao magistrado que simbolizava a Operação Lava Jato, o tiro ricocheteou na língua portuguesa antes de atingir, de novo, a testa do pistoleiro que faz mira só depois do disparo. Se fosse mais gentil com o idioma, Ciro receberia à bala, nunca "na bala", os agentes da Polícia Federal que formavam o que chamou de turma do Moro. Se respeitasse a inteligência alheia, não diria que o juiz federal "resolveu prendê um bloguero". Moro apenas determinara que um blogueiro incluído entre os alvos de uma investigação prestasse depoimento.

Em 2018, em sua terceira tentativa fracassada de alojar-se no Planalto, reagiu a uma pergunta incômoda com um soco no autor, a ameaça de prendê-lo e a ordem: "Vai pra casa do Romero Jucá, seu filho da puta".  Entre um bate-boca e um destampatório, foi filmado numa  rua comprando briga de pijama ou descendo de um palanque para desafiar alguém na plateia.

No começo deste ano, para mostrar que no peito de um Ciro Gomes também bate um coração, resolveu escancarar a dor que sentia ao pensar no sofrimento dos moradores de rua ameaçados pela pandemia de coronavírus. Na gravação de um vídeo, caprichou na pose de menor abandonado e tentou cair no choro. Não apareceu uma única e escassa gota no canto de qualquer olho. Então, Ciro escavou no semblante rugas e vincos tão artificiais que acabou inventando o pranto convulsivo sem lágrimas.

Neste fim de agosto, Ciro teve outro chilique ao ser confrontado com números da pandemia de coronavírus em Sobral divulgados por este colunista. "Esse ex-jornalista, figura corrupta da imprensa brasileira, na tentativa de defender Bolsonaro, seu padrinho criminoso, trabalha sempre com fake news!", berrou nas redes sociais. "Usar Sobral para atacar a mim, chega a ser patético! O idiota não sabe que 25.624 sobralenses foram testados até as 18h de ontem".

Como fatos são insensíveis a ataques de nervos, Sobral continua exibindo números que desmoralizam o clã que havia  proibido a entrada na cidade do vírus chinês. Neste fim de semana, as mortes por covid-19 eram 141 para cada 100 mil habitantes. O valor é quase o triplo da média nacional e o 3º entre as cidades com mais de 100 mil habitantes no Brasil. Apenas 28 dos 5.557 municípios afetados pela pandemia no país têm registros de óbitos piores que os registrados no feudo dos Gomes.

O chilique informa: Ciro está pronto para o quarto fiasco como candidato à Presidência.

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