Glenn virou conselheiro de quadrilha

Entre os xerifes e os bandidos, o jornalista de araque optou pelos fora da lei. Tornou-se apenas mais um caso de polícia

A fantasia de herói da liberdade de imprensa está em frangalhos

A fantasia de herói da liberdade de imprensa está em frangalhos

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Um grupo de ladrões medíocres repassou a um lojista — de graça, garante o presenteado — boa parte do lote de laptops roubados de uma loja sem fechadura nem tranca. O assalto ainda não terminou quando um dos quadrilheiros resolveu aconselhar-se por telefone com o ganhador do presente. Queria saber o que fazer com os laptops que guardava e com os caixotes que embalavam os equipamentos tungados.

Com voz assustada de quem chegou do primeiro passeio numa montanha-russa, o lojista recomenda ao larápio que esconda o que resta do lote e dê um sumiço em todas as provas, pistas ou evidências. Reitera que é preciso muito cuidado nessa hora: ninguém pode saber a identidade dos gatunos, nem o método utilizado para a obtenção dos aparelhos. O conselheiro pretende distribuir o produto do roubo pelos pontos de venda sem sustos nem sobressaltos.

Foi exatamente assim que agiu Glenn Greenwald. Contemplado com mensagens enviadas ou recebidas por integrantes da Lava Jato e uma multidão de autoridades, nem lhe passou pela cabeça interromper o assalto em andamento. Entre os xerifes e os bandidos, optou pelos fora da lei e virou consultor de quadrilha. A fantasia de herói da liberdade de imprensa está em frangalhos. Glenn é apenas mais um caso de polícia.