Lições da quarentena para todos

O isolamento radical é o outro nome do assassinato da economia

Nelson Antoine / Estadão Conteúdo / 29.03.2020

Se a quarentena para todos foi concebida para deter o avanço do coronavírus, por que ficou mais acelerado o crescimento do número de mortos e casos confirmados? É uma boa pergunta, hão de concordar os brasileiros que não sucumbiram ao pânico nem embarcaram no noticiário da imprensa infectada pelas bactérias do alarmismo. Antes de colocar o ponto já ouço a resposta berrada pelos devotos do isolamento radical: porque se as ruas do país não fossem despovoadas, a ofensiva do inimigo seria mais veloz.

Tenho a tréplica na ponta da língua: por que isso não aconteceu na Suécia? Quando a pandemia chegou àquele país, o governo optou pela sensatez e adotou imediatamente um conjunto de medidas preventivas. Os restaurantes, por exemplo, passaram a atender apenas clientes sentados, concentrações humanas foram limitadas a 50 pessoas e a população entendeu prontamente o que fazer para resistir ao coronavírus. Enquanto isso, a vizinha Dinamarca percorreu o caminho demarcado pelo pânico. O governo fechou escolas, fábricas, lojas, restaurantes — e mandou todo mundo para casa. Passados 30 dias, os dois países apresentam o mesmo índice de mortes e casos confirmados em relação ao total de habitantes — a população sueca é o dobro da dinamarquesa.

Ao longo da semana passada, o governo sueco foi pressionado para aderir à quarentena para todos. Nesta segunda-feira, o governo dinamarquês informou que vai adotar o modelo da Suécia.