Augusto Nunes O caso da iraniana condenada à morte por apedrejamento

O caso da iraniana condenada à morte por apedrejamento

Para eleger Dilma, Lula fingiu que ajudaria a mulher acusada de adultério

Em 2010, o Brasil foi alcançado pela comoção provocada pela saga de Sakineh Mohammadi Ashtiani

Em 2010, o Brasil foi alcançado pela comoção provocada pela saga de Sakineh Mohammadi Ashtiani

REUTERS/Alaa al-Marjani

Sempre decididos a absolver o chefe de todos os crimes que cometeu, devotos de Lula acabaram ampliando o rol de iniquidades protagonizadas pelo deus da seita no caso da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, evocado no artigo anterior. Eles recordaram que, dias depois de negar socorro à mulher condenada por adultério, o então presidente disse num comício em Curitiba que havia sugerido ao colega Mahmoud Ahmadinejad que a morte por apedrejamento fosse substituída pelo refúgio no Brasil. E prometeu voltar ao assunto com o companheiro promovido a chefe de governo por um bando de aiatolás atômicos.

É verdade que Lula disse isso no dia 1º de agosto de 2010. Também é verdade que as duas conversas — tanto a que tivera quanto a que teria — jamais aconteceram. Para abrandar as pressões do Brasil decente, que poderiam prejudicar a candidatura presidencial de Dilma Rousseff, o fabricante de postes confirmou que mente mais do que respira. Lula jamais formalizou qualquer pedido que pudesse ajudar Sakineh. A fantasiosa oferta de asilo nunca se materializou fora do palanque. Ele só foi sincero na parte do discurso em que reiterou o respeito pelo soberania do Irã, que autorizava os pastores do primitivismo selvagem a matarem quem quisessem.

No mesmo comício, Lula também prometeu que, se a condenada estivesse viva e Dilma ganhasse a eleição, a candidata a seu lado prosseguiria a luta que não houve pela salvação da condenada. A grita das nações civilizadas garantiu a sobrevivência de Sakineh, que continuou na prisão em que estava havia quatro anos. Instalada no Planalto, Dilma esqueceu o caso. A dupla que mentiu na discurseira em Curitiba certamente ignora que fim levou a mulher a quem negaram socorro. Se ainda vive, Sakineh provavelmente ignora que Lula ficou engaiolado na mesma cidade onde fingiu que tentaria livrá-la da barbárie assassina.