O país real desmoralizou a ‘tempestade perfeita” dos doutores em Brasil

Desempenho de Bolsonaro nas pesquisas atordoa videntes que erram até previsões sobre o passado

O presidente Jair Bolsonaro inaugura a Usina Termoelétrica Porto de Sergipe

O presidente Jair Bolsonaro inaugura a Usina Termoelétrica Porto de Sergipe

Alan Santos/PR - 17.08.2020

Entre a pesquisa anterior e a divulgada na sexta-feira pelo DataFolha, colunistas especializados em análise política acampados na imprensa velha avisaram que enfim desabara sobre o presidente da República o que chamam de "tempestade perfeita". Foi qualificado de "genocida" por um ministro do Supremo Tribunal Federal, e responsabilizado pelas mais de 100 mil mortes provocadas no Brasil pela pandemia de covid-19. Também debitaram na conta de Jair Bolsonaro a iminente suspensão da compra de produtos brasileiros por países importadores fartos de lidar com quem sonha com o sumiço da Amazônia. Enquanto o piromaníaco incinera a floresta, o liberticida segue planejando o assassinato da democracia.

É compreensível que os doutores em Brasil tenham aguardado as pesquisas em andamento com a excitação de um empreiteiro amigo de Lula em dia de licitação na Petrobras do país pré-Lava Jato. Na grande imagem de Nelson Rodrigues, deveriam estar todos sentados no meio-fio, chorando lágrimas de esguicho pelo portentoso fiasco. Segundo o DataFolha, endossado neste começo da semana por dois outros institutos, o índice de aprovação do presidente subiu extraordinariamente e a taxa de rejeição despencou. Apenas 11% dos entrevistados incluem o desempenho de Bolsonaro entre os motivos dos maus resultados do combate ao desastre sanitário. Cresceram a confiança no governo e a visão otimista do futuro imediato.

O patriarca da tribo dos especialistas em nada acha que o Brasil precisa mudar de povo. Outro pajé garante que todos os beneficiários do auxílio emergencial viraram bolsonaristas desde o berçário. Um colunista da Folha explicou que o comportamento menos beligerante adotado ultimamente por Bolsonaro operou o milagre da ressurreição. Mas uma analista do Estadão ressalvou que a paisagem vai ficar escura quando os brasileiros entenderem o que há por trás do acordo entre o presidente e o Centrão.

Nenhum deles mostrou-se interessado em conhecer o Brasil que existe fora da cabeça de videntes que erram até previsões sobre o passado.