Autos Carros Com fábricas fechadas, produção cai 99% em abril

Com fábricas fechadas, produção cai 99% em abril

Impacto da pandemia do Covid-19 atinge todo o setor automotivo e paralisa produção de veículos em todo o país

A Anfavea, Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores, realizou na manhã de hoje (8), uma coletiva de imprensa de forma online, para apresentar o balanço do setor automotivo no mês de abril e como já era esperado os números refletem o grave impacto econômico causado pela pandemia do novo coronavírus (COVID-19).

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No primeiro mês completo de pandemia, todas as fábricas no Brasil tiveram sua produção suspensa temporariamente como medida preventiva uma vez que a indústria não está obrigada a paralisar a produção. O resultado foi uma queda de 99,3% na produção de veículos em relação ao mesmo período do ano passado.

“Como já era esperado, a produção caiu muito. Com todas as fabricas fechadas, tivemos apenas 1.800 veículos produzidos. Esse é o pior número desde 1957”, comentou o presidente da entidade Luiz Carlos Moraes recordando o período em que a indústria automotiva estava dando seus primeiros passos no país (os primeiros veículos nacionais foram lançados no final de 1956, o Romi Isetta e o DKW Universal).

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No último mês foram produzidos 1.847 automóveis, comerciais leves (picapes e furgões), caminhões e ônibus, contra 267.561 no mesmo período no ano passado.

O coronavírus também causou uma queda de 76% nos licenciamentos de veículos, que foram de 231.936 unidades em abril de 2019 para 55.735 em 2020. Em comparação a março, com 163.625, a redução foi de 65,9%.

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Neste mês algumas montadoras já iniciaram a retomada da produção. É o caso da Renault, BMW, Scania, Volkswagen (ônibus e caminhões) e Volvo Caminhões. Segundo a entidade, a produção voltará de forma gradual mas o choque de demanda causado pela crise econômica ainda não foi contabilizado. Isso quer dizer que o setor automotivo ainda não sabe qual será a demanda no novo mercado pós-pandemia.

A exportação também sofreu com a pandemia, segundo o presidente da Anfavea. A queda foi de 79,3% em relação ao mesmo mês de 2019 - com 7.212 unidades, contra 34.905. Quando comparadas com o mês anterior, março, as exportações caíram 76,7%.

Reajuste de preço da tabela das montadoras

Com o aumento do dólar, as montadoras já começaram o reajuste de preço de seus veículos.  O principal motivo disso é a alta do dólar que subiu 30% desde o início da pandemia já partindo de um viés de alta verificado no primeiro bimestre. Atualmente o dólar está cotado em um patamar de R$ 5,60 o que encarece o fornecimento de insumos e peças importadas.

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Para o presidente da entidade, parte da desvalorização do real não é econômica. “O Banco Central já queimou US$ 50 bilhões e não conseguiu conter a alta do dólar”, destacou Moraes referindo-se às reservas de moeda estrangeira que foram usadas para conter a fuga da moeda americana.

Por fim, o dirigente sugeriu que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário se unam para definir “ações coordenadas” no combate à pandemia. O presidente da Anfavea comentou que há um conflito permanente entre os poderes o que atrapalha a previsibilidade da indústria automotiva, o que não positivo para o mercado especialmente em tempos de pandemia.

*Com a colaboração de Guilherme Magna

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