O fim do silêncio do Ministro Paulo Guedes

Depois de dias fugindo de entrevistas, o Ministro da Economia diz que fica no Governo e que é preciso controlar os gastos

O ministro Paulo Guedes e o presidente Jair Bolsonaro

O ministro Paulo Guedes e o presidente Jair Bolsonaro

Ueslei Marcelino/Reuters

Por vários dias o Ministro da Economia preferiu falar pouco e evitar as entrevistas: evitou falar em Janeiro, enquanto o Congresso definia os novos presidentes da Câmara e do Senado, e logo depois veio o silêncio em nome do auxílio emergencial (deve ser aprovado no Senado na próxima semana). Para pessoas próximas o Ministro dizia:"é hora de ficar em silêncio em nome das reformas".

O problema é que em meio a essa turbulência do início de ano, com o aumento do número de mortes provocadas pelo coronavírus, ocorreu também a troca de comando na Petrobras e isso fez que voltassem as especulações de um desgaste na relação entre o Presidente Bolsonaro e Paulo Guedes.

Embora as especulações tenham sido grandes, este Blog apurou que não entrou no radar do presidente uma troca de comando no Ministério da Economia. Mas vale lembrar que não faltam em Brasília pessoas que peçam a demissão do Ministro.

Paulo Gudes continua com o apoio do Presidente, e com este apoio de Bolsonaro, o Ministro conseguiu sinalizar ao mercado que a agenda liberal continua: foram enviados ao Congresso propostas para privatizar os Correios e a Eletrobras.

Mas além dessa sinalização, será preciso esforço do Ministro e da ala Política do Governo para entregar uma grande privatização, algo que é fundamental para sobrevivência do esforço liberal na economia.

Ao sair do silêncio, Guedes disse ao youtuber Thiago Nigro que fica no Governo:

“Tenho noção de compromisso enquanto puder ser útil e gozar da confiança do presidente. Se o presidente não confiar em meu trabalho, sou demissível em 30 segundos. Se eu estiver conseguindo ajudar o Brasil, fazendo as coisas que acredito, devo continuar. Ofensa não me tira daqui, nem o medo, o combate, o vento, a chuva”, afirmou o Ministro.

Outro destaque da entrevista é a declaração de Paulo Guedes em defesa do controle dos gastos públicos, "Para virar a Argentina, seis meses. Para virar a Venezuela, um ano e meio. Se fizer errado, vai rápido. Agora, quer ir para o outro lado? Quer virar Alemanha ou Estados Unidos? 10 ou 15 anos na outra direção".

O problema é que estamos enfrentando uma pandemia, e a cada mês que passa, fica mais difícil de ver como seria um Brasil com ideias liberais na economia.

Últimas