Christina Lemos Após derrota, Baleia sofre “ataque especulativo” no MDB

Após derrota, Baleia sofre “ataque especulativo” no MDB

Aliados do deputado ironizam movimento do governador do DF,  Ibaneis Rocha, de disputar pela presidência do partido. Para isso, seria preciso mudar o estatuto da legenda. Meta seria chegar a vice de Bolsonaro

Baleia Rossi disputará presidência da Câmara com Arthur Lira

Baleia Rossi disputará presidência da Câmara com Arthur Lira

Luis Macedo/Agência Câmara

Apenas 48h depois da derrota do deputado Baleia Rossi (MDB/SP) na disputa pela presidência da Câmara, correligionários do parlamentar identificaram os primeiros movimentos para fragilizá-lo no comando do partido e minimizam o movimento, classificado como “ataque especulativo”. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, ambiciona o posto de presidente do MDB. Mas para isso precisaria obter apoio político para uma batalha ainda anterior à eleição interna: alterar o Estatuto do MDB, que hoje proíbe que governadores assumam o comando da legenda. O MDB tem convenção prevista apenas para outubro, para a escolha de seu novo presidente.

O governador é muito próximo do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ) , através do qual aproximou-se do presidente Jair Bolsonaro. Ibaneis é também ligado ao senador Ciro Nogueira (PP/PI), cacique do Partido Progressista, que costura para levá-lo para seu partido. A médio prazo, o pano de fundo destes movimentos são uma eventual candidatura de Ibaneis a vice na chapa de Bolsonaro para 2022.

Logo após o resultado que sacramentou a vitória do Centrão na disputa pela presidência da Câmara, Rossi preocupou-se em agradecer os aliados e consolidar a interlocução com apoiadores de partidos de centro e centro-esquerda. O deputado telefonou para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, e também falou com governadores das legendas que o acompanharam na disputa contra Arthur Lira (PP/AL).

O MDB já redesenha seu papel político para os próximos dois anos, principalmente na Câmara dos deputados. O partido tem a quinta maior bancada na Casa, e promete atuação independente e moderada, inclusive ocupando um espaço deixado pelo Democratas, que aderiu ao projeto de Arthur Lira, desabrigando um de seus principais líderes, Rodrigo Maia (DEM/RJ). O deputado carioca chegou a presidir o partido em momento de tentativa de renovação da imagem da legenda. “O Dem voltou a ser o PFL de sempre” – comenta-se, no núcleo emedebista da Câmara.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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