Christina Lemos Articulação de adversários apressa Bolsonaro, que avalia entrar no PP

Articulação de adversários apressa Bolsonaro, que avalia entrar no PP

Diante de movimentações pré-eleitorais de seus principais oponentes, Bolsonaro acelera acerto para filiar-se a um partido. Resistências no PP estariam “administradas”

O ministro Ciro Nogueira, do PP: foco na formação de bancadas numerosas

O ministro Ciro Nogueira, do PP: foco na formação de bancadas numerosas

Evaristo Sá/AFP 30.07.2021

O presidente Jair Bolsonaro, sem partido, voltou a cogitar a entrada em um dos partidos do Centrão, e, segundo parlamentares, a sondagem ao PP teria avançado passos importantes. O movimento do presidente busca responder às articulações de seus principais adversários, que trabalham intensamente em acertos regionais para costurar apoios. Caciques do PP, como Arthur Lira, presidente da Câmara, e Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil – hoje um dos nomes mais próximos a Bolsonaro, voltaram a demonstrar disposição para conversar.

As articulações com líderes do PP, principal legenda do bloco de apoio ao governo no Congresso, avançaram após o partido mudar o foco de seu interesse eleitoral. Um acerto com Bolsonaro levaria a um “efeito PSL”, isto é, ampliaria o tamanho das bancadas federais. Sair mais forte das eleições tornou-se prioridade para o PP e outras legendas médias, principalmente após a iminente fusão entre PSL e DEM, que tem o potencial de desequilibrar a correlação de forças no Congresso.

O presidente havia estabelecido algumas exigências para filiar-se a partidos, entre elas, ter o poder de veto nas filiações e indicações de candidatos à câmara e ao senado. As pré-condições foram mal vistas por dirigentes de várias legendas cogitadas, segundos os quais, Bolsonaro age como se quisesse “ser dono” do partido que receber sua filiação.

Diante do avanço na articulação pré-eleitoral de adversários de peso, numa antecipação de movimentos que afeta tanto o presidente quanto os partidos que o apoiam, a tendência é a flexibilização do rigor destas exigências, assim como a boa vontade em aceitá-las em parte.  As resistências no PP estariam sendo "administradas" e estão concentradas em diretórios do partido no nordeste, que temem ver ameaças suas alianças locais. 

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