Christina Lemos Bolsonaro compartilha gestão da crise e pede fim da “politização”

Bolsonaro compartilha gestão da crise e pede fim da “politização”

Mais de um ano depois do início da crise sanitária, presidente delega gestão a representantes dos três poderes, admite que “não temos remédio” para a Covid, mas ainda defende tratamento precoce.

Num esforço por promover uma guinada na gestão da saúde pública e no pior momento da pandemia do coronavírus no Brasil, o presidente Bolsonaro sinalizou esta manhã para o compartilhamento de responsabilidades na gestão da crise. Atendendo à sugestão do presidente do senado, Rodrigo Pacheco, que tornou-se um crítico da atuação da gestão federal no combate a pandemia, Bolsonaro anunciou a criação de comitê de alto nível, composto de representantes dos três poderes, que terá reuniões semanais de “redirecionamento de rumos”, segundo definiu o próprio presidente.

Presidente anuncia "redirecionamento de rumos" e "vida em primeiro lugar"

Presidente anuncia "redirecionamento de rumos" e "vida em primeiro lugar"

Isac Nóbrega/PR - 23.03.2021

A iniciativa busca uma “pacificação” e uma “despolitização” do tema, segundo repetido pelas cinco autoridades que se pronunciaram após o encontro esta manhã, no Palácio da Alvorada. O próprio presidente acenou com uma inflexão mais sóbria na abordagem de temas que têm gerado conflito. “A vida em primeiro lugar”, iniciou Bolsonaro, um defensor da manutenção da atividade econômica, a despeito da aceleração do contágio do coronavírus. “É uma doença desconhecida, há uma nova cepa, um novo vírus apareceu”, declarou, ao admitir dificuldades no enfrentamento à Covid-19, doença que o presidente minimizou.

Não temos remédio”, frisou de passagem Bolsonaro, e apelou por união, “sem que haja conflito e politização do problema”, disse. Ainda assim, o presidente deixou uma fresta para a defesa que sempre fez da adoção de medicamento de eficácia não comprovada ou até negada pela ciência, e previu “ a possibilidade de tratamento precoce, em respeito ao direito do médico, “off lable” tratar os infectados”.

As declarações do presidente foram seguidas de manifestações de seus principais aliados no Congresso, os presidentes da Câmara e do Senado, que também pontuaram as mudanças que avaliam necessárias na postura do governo federal. O senador Pacheco deixa claro que o “pacto nacional” precisa ser liderado pelo presidente da República. Bolsonaro é criticado por destoar, em suas atitudes e discurso, das orientações técnicas do ministério da Saúde. O deputado Arthur Lira também ressaltou o ponto, frisando que é preciso “desarmar os espíritos” e “tratar o problema como de todos nós”.

O presidente do senado - que é a casa da Federação - ficou encarregado da interlocução com os governadores, cuja gestão tem sido uma das principais fontes de conflito, inclusive judicial, com o governo federal. Apesar do apelo por união, compareceram ao encontro no Alvorada apenas governadores alinhados com o presidente Bolsonaro, como Romeu Zema, de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, de Goiás, único a defender ações de isolamento social “que em situações críticas como a que vivemos se faz necessário”, declarou o democrata, que é médico de formação.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, convidado para o encontro, teve participação constrangida na declaração conjunta. O magistrado esclareceu que o STF não integrará formalmente o comitê, por ser uma instância judicial. Mas prometeu a colaboração do tribunal, como foro constitucional, “para verificar estratégias para evitar a judicialização” de questões referentes à pandemia.

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