Christina Lemos Bolsonaro reavalia custo alto de ministros “ideológicos”

Bolsonaro reavalia custo alto de ministros “ideológicos”

Presidente é alertado por novos aliados de que posições radicais se tornaram insustentáveis diante da fragilidade política imposta por erros na gestão da pandemia

O chanceler Ernesto Araújo: desgaste e fritura agravados após audiência no Senado.

O chanceler Ernesto Araújo: desgaste e fritura agravados após audiência no Senado.

Marcos Corrêa/PR - 03.03.2021

No auge da fritura política do ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo, aliados do presidente Jair Bolsonaro sinalizam que o governo não tem mais margem para manter o discurso, considerado radical, que lhe deu sustentação política na primeira metade do mandato. A avaliação é de que o acúmulo dos erros de gestão e de comunicação desde o início da pandemia do coronavírus  “desidrataram perigosamente” tanto a imagem do presidente, quanto a do governo. E que não há margem para novos erros.

Estão na lista dos ministros chamados “ideológicos”, além do próprio chanceler Ernesto Araújo, considerado “bola da vez”, após a troca de Eduardo Pazuello na Saúde, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ambas as pastas são emblemáticas do ponto de vista das relações internacionais e são vistas por aliadas como relevantes seja quanto ao peso político quanto orçamentário. O movimento também inclui a cobrança do Centrão pelo ônus de apoiar o governo sem a contrapartida de poder, em forma de cargos no primeiro escalão.

Bolsonaro, que sempre relutou em se desfazer do time com o qual tem afinidade direta e que conta com o apoio de seu núcleo familiar, segundo interlocutores, reavalia a manutenção destes titulares, “em nome da estabilidade política e da governabilidade”. O último desta ala a deixar o primeiro escalão foi o hoje ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, que ainda hoje não recuou das posições que o levaram à demissão e ensaia uma candidatura ao governo de São Paulo.

Após desastrosa participação em audiência pública no Senado, onde se submeteu “a uma situação de humilhação”, segundo fonte da diplomacia, Araújo luta para se manter no cargo, enquanto o presidente já estaria sondando nomes para a troca. Em rede social, o chanceler publicou versículo bíblico que diz: “o amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta...” A esposa do ministro comentou na mesma postagem: “estão tentando transformar meu marido em bode expiatório da República. Patético. Aguenta firme, meu amor”.

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