Christina Lemos Eleição na Câmara: vitória de Maia é boia de salvação para oposição

Eleição na Câmara: vitória de Maia é boia de salvação para oposição

Em negociação estão cargos na Câmara e em comissões permanentes. Oposição aplica 'plano de manejo' contra eventual vitória de Arthur Lira

Câmara dos Deputados vai eleger novo presidente da Casa

Câmara dos Deputados vai eleger novo presidente da Casa

Luis Macedo/Câmara dos Deputados - 4.2.2020

Contrariando a tradição nas disputas de primeiro turno para a presidência da Câmara, partidos de oposição, como PT, PSB e Rede, sinalizam que abrirão mão de candidaturas para unir forças com o grupo de Rodrigo Maia (DEM-RJ) contra o candidato ungido pelo Planalto, Arthur Lira, do PP. A conciliação, relativamente rara, sinaliza não só para o poder de fogo do adversário, mas para o risco iminente de exclusão destes partidos de postos-chave na Câmara. 

Estarão em jogo, pelas próximas semanas, posições que representam verdadeiras reservas de poder, como os cargos da Mesa Diretora e o comando de comissões permanentes importantes, como a de Constituição e Justiça, a de Finanças e Tributação, a de Orçamento - para ficar apenas naquelas pelas quais passarão alguns dos temas de interesse dos próximos dois anos de mandato de Jair Bolsonaro. Embora a escolha destes cargos esteja sujeita a regras regimentais e à proporcionalidade dos partidos, acordos prévios permitem trocas e até partilhas de posições.

A recente carta em defesa da democracia, divulgada por Rodrigo Maia, reúne a assinatura de 11 líderes de partidos, inclusive de grupos até pouco tempo inconciliáveis, como petistas e parcela do dividido PSL.

O documento representou uma espécie de termo de compromisso possível em torno de conceitos genéricos e serviu para selar a união dos adversários de Arthur Lira.

Faz parte do "plano de manejo" dos prejuízos políticos já considerados certos, com a eventual vitória do candidato do Partido Progressista. Mas representa uma união casuística e de conveniência que dificilmente será mantida nos embates de plenário em 2021. 

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