Novo Coronavírus

Christina Lemos Falta de medicamentos e oxigênio abre nova crise na Saúde

Falta de medicamentos e oxigênio abre nova crise na Saúde

Prefeitos pediram ao presidente e ao Ministério da Saúde providências para suprir a escassez de oxigênio e sedativos

Estoque de analgésicos e bloqueadores preocupa

Estoque de analgésicos e bloqueadores preocupa

Amanda Perobelli/Reuters

A iminente falta de medicamentos básicos para intubação de pacientes graves por covid-19 já se tornou o novo motivo de conflito entre Minstério da Saúde, prefeitos e governadores. Alguns desses gestores alertam que o estoque de analgésicos e bloqueadores musculares que permitem a intubação pode durar apenas mais 15 dias, com a alta da demanda.

Nesta quinta-feira (18), a FNP (Frente Nacional de Prefeitos) enviou ofício ao presidente Jair Bolsonaro e ao Ministério da Saúde pedindo providências imediatas para suprir a escassez de oxigênio envasado e medicamentos para sedação de pacientes intubados que já se registra, segundo a entidade, do Norte ao Sul do país.

"A União poderá reforçar a aquisição dos medicamentos e também tem prerrogativa de determinar redirecionamento de insumos e produtos. Isso poderia ser feito com a indústria metalúrgica, que também utiliza oxigênio com o mesmo grau de pureza do hospitalar, por exemplo", sustenta a Frente, que reúne as 412 cidades brasileiras com mais de 80 mil habitantes.

A FNP aponta que o aumento sem precedentes no número de contaminados com o novo coronavírus e da demanda por atendimento hospitalar prenuncia um cenário de falta de oxigênio e de medicamentos para sedação de pacientes.

No ofício a Bolsonaro e ao ministério, a Frente reivindica que o governo federal adote medidas cabíveis para que as cenas "trágicas e cruéis" de Manaus, onde houve colapso completo do fornecimento de oxigênio, não se repitam em outras cidades brasileiras.

"Não é razoável que pessoas, cidadãos brasileiros, sejam levados à desesperadora morte por 'afogamento' no seco, ou que sejam amarrados e mantenham a consciência durante o delicado e doloroso processo de intubação e depois na sua longa permanência", escreve a FNP.

Em audiência pública na comissão temporária do Senado que acompanha medidas de enfrentamento à pandemia, empresas distribuidoras de oxigênio defenderam que a falta de previsibilidade é o principal empecilho para lidar com a escassez do insumo neste momento e afirmaram que o fornecimento de dados sobre casos e internações pode sinalizar o cenário nacional da pandemia.

Em resposta, o ministério divulgou nota informando que, até o momento, 24 estados e Distrito Federal encaminharam informações sobre o consumo médio mensal de medicamentos de IOT (intubação orotraqueal: MS, MT, GO, DF, SE, RN, PI, PE, PB, MA, CE, BA, AL, TO, RR, RO, AM, AP, AC, SP, RJ, MG, ES, RS e PR.

"Por meio da análise realizada semanalmente com os dados de consumo médio mensal, o Ministério da Saúde aplica critérios objetivos - curva epidemiológica, cobertura menor que 15 dias, ausência de similaridade nos estoques, quantitativo de leitos, entre outros - e, de forma tripartite, realiza a distribuição", informa a pasta.

"Nesta quarta-feira (17/03), a pasta requisitou administrativamente 665.507 medicamentos de IOT para um período de 15 dias, considerando o consumo médio mensal. Vale lembrar que a requisição administrativa realizada não atinge os quantitativos dos insumos previamente contratados pelos entes federados", conclui a nota.

* Com informações da Agência Estado

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