Inquérito contra Pazuello constrange militares

Autorização dada por ministro do STF é pior cenário imaginado pela área militar. Pazuello é general da ativa e relutou em ser efetivado como ministro da Saúde

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, torou-se alvo de investigação no STF, por decisão do ministro Ricardo Lewandowski

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, torou-se alvo de investigação no STF, por decisão do ministro Ricardo Lewandowski

Carla Carniel/Reuters - 18.01.2021

A abertura de inquérito, no âmbito da Suprema Corte brasileira, contra o ministro da Saúde para apurar responsabilidades pela má gestão da crise do coronavírus no estado do Amazonas consolida o pior dos temores dos militares da ativa: a de que o desempenho de Eduardo Pazuello terminasse por afetar a imagem das Forças Armadas. O ministro continua como general da ativa, apesar de pressões para que se aposentasse para seguir no primeiro escalão do governo.

O próprio Pazuello, durante meses, deu sinais de preferir a interinidade no ministério da Saúde – pasta que assumiu, em maio de 2020, em substituição a Nelson Teich, segundo a ser afastado da tarefa de coordenar a resposta federal à Covid-19. O general não escondia que encarava a missão como missão provisória, e que nutria expectativa de retornar à atividade militar. Permaneceu por quatro meses como interino, enquanto o governo era criticado por “não ter um ministro da saúde”. Até ser finalmente confirmado como efetivo na pasta, em setembro do ano passado.

Por ser ministro de Estado, Pazuello conta com foro privilegiado e terá a investigação comandada pelo STF. A situação de ter um dos membros da corporação na condição de investigado, num ambiente de forte disputa em torno dos dividendos políticos do enfrentamento à pandemia, reforça o argumentos dos que defendem que a atividade militar não deve se misturar com a política. Uma eventual denúncia que venha a transformar Pazuello em réu perante o STF tornará insustentável a situação do ministro, aos olhos da cúpula militar.

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