Operação Lava Jato

Christina Lemos Lula firma posição como principal opositor de Bolsonaro

Lula firma posição como principal opositor de Bolsonaro

Ao contrário da expectativa de alguns setores por discurso moderado e eventual aceno ao centro, o ex-presidente acentua críticas a Bolsonaro: “esse país não tem governo”

Lula falou hoje pela primeira vez depois da decisão do Supremo

Lula falou hoje pela primeira vez depois da decisão do Supremo

Amanda Perobelli/Reuters - 10.03.2021

O ex-presidente Lula transformou sua primeira manifestação, após decisão do STF que o devolveu a possibilidade de concorrer às eleições em um ato público de oposição ao governo Bolsonaro – possivelmente o mais forte desde o início do mandato presidencial. “Esse país não tem governo, não tem ministro da Saúde, não tem ministro da Economia. Esse país tem um fanfarrão”, declarou Lula, durante pronunciamento em palco montado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, acompanhado por seguidores, apoiadores e imprensa, e transmitido por meio de redes sociais na internet.

Com ataques generalizados, que foram da imprensa, aos procuradores da Lava Jato, e a setores da sociedade que apoiaram o processo que culminou na sua prisão, Lula manteve o discurso duro e coerente com suas posições recentes, sem deixar margem à idéia de composição com forças e personalidades de centro, como alternativa para ampliar apoio junto a fatias eleitorais de adversários. Na longa abertura de seu pronunciamento, o ex-presidente acenou a todos os ícones estrangeiros da esquerda, demarcando claramente que seu território está mantido e que não haverá inflexão em sua trajetória.

Lula, porém teve a cautela de não atacar medidas de socorro à população. “Não precisa ler Marx para entender que as pessoas precisam de um salário para sobreviver”. Mas não poupou iniciativas de Bolsonaro, como a liberação de armas. “Este povo não está precisando de arma. Está precisando de emprego e de salário”. Em tom de comício voltado às variadas faixas de insatisfeitos, Lula também mirou nos caminhoneiros. “Não é possível permitir que o preço do combustível tenha de seguir o preço internacional se nós não somos importadores”. A questão fez com que o presidente Bolsonaro demitisse o presidente da Petrobrás, num movimento que resultou em prejuízo à estatal que passou dos R$100 bi.

Ao ser perguntado se o tema da polarização estaria sendo usado politicamente para prejudicá-lo, Lula sustentou: “O PT não pode ter medo de polarizar. O PT tem de que ter medo de ser esquecido".

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