Christina Lemos Ministério e Conass mantêm orientação de reserva de metade das vacinas

Ministério e Conass mantêm orientação de reserva de metade das vacinas

Em cenário de incertezas sobre fabricação de imunizante e de desigualdade regional, a orientação é preservar metade do estoque para aplicação de segunda dose. São Paulo não seguirá diretriz

Dimas Covas, do Instituto Butantan: "não há justificativa ética para se guardar vacinas". 
 

Local: São Paulo/SP

Data: 13/01/2021

Foto: Governo do Estado de São Paulo

Dimas Covas, do Instituto Butantan: "não há justificativa ética para se guardar vacinas". Local: São Paulo/SP Data: 13/01/2021 Foto: Governo do Estado de São Paulo

Governo do Estado de São Paulo - 13.01.2021

Ao contrário da anunciada intenção das autoridades de saúde de São Paulo, a orientação federal não mudou: seguir a bula e as especificações dos fabricantes, para garantir a eficácia da vacina, inclusive no que diz respeito ao intervalo de aplicação entre a primeira e a segunda doses.

Não haverá mudança na diretriz nacional expedida pelo Ministério da Saúde que orienta a reserva de metade do estoque de vacinas recebidas por estados e municípios para completa imunização do mesmo grupo que recebeu a primeira dose.

Documento do Ministério da Saúde do último dia 19, assinado pelo secretário-executivo, Élcio Franco Filho, e encaminhado a todos os secretários estaduais de saúde, ao qual este blog teve acesso, enfatiza que o quantitativo da Coronavac é destinado à vacinação de 2,8 milhões de pessoas (já considerando eventuais perda de doses) dos grupos prioritários.

"Faz-se necessário destacar a necessidade de completar o esquema vacinal com as duas doses da vacina (intervalo de 02 a 04 semanas), no tempo determinado em bula pelo laboratório, a fim de que haja adequada imunização", destaca o secretário-executivo.

Veja o documento na íntegra

Nesta quarta-feira, contradizendo recomendação técnica do próprio Instituto Butantan, o governo de São Paulo anunciou a intenção de utilizar todas as doses disponíveis nesta primeira etapa, em função da alta demanda pelo imunizante.

“Se temos a vacina na prateleira, nós temos do outro lado pessoas morrendo, precisamos usar essas vacinas. Não tem justificativa ética guardar essas vacinas”, declarou Dimas Covas, diretor do Instituto.

Neste caso, a segunda dose teria de ser ministrada no intervalo máximo de 43 dias. O intervalo ideal, definido por estudo científico é de 28 dias.

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