Christina Lemos Nova Câmara será desafio para futuro presidente

Nova Câmara será desafio para futuro presidente

Seja qual for o eleito, a única certeza é que ele contará com ferrenha e coesa oposição de no mínimo 120 deputados. Esse é o tamanho das bancadas tanto dos partidos de esquerda, quando dos de direita, segundo o DIAP

Plenário da Câmara dos Deputados

Plenário da Câmara dos Deputados

Folha Vitória - Cidades 3

O resultado das urnas guardou uma surpresa para o presidente eleito: a simetria de representações de esquerda e direita na Câmara Federal. Pelos cálculos do DIAP - o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, os dois pólos contarão com 120 deputados cada. Seja qual for o presidente eleito, a única certeza é que ele contará com ferrenha e coesa oposição.

Os partidos tradicionalmente de centro, como MDB e PSDB, perderam muitos deputados, e foram reduzidos a condição de legendas médias. Tornam-se, porém, cruciais na formação de maioria para votações que exigem quorum alto. Passam a disputar espaço com as legendas do auto-denominado Centrão.

O cenário exigirá do novo presidente, seja ele Jair Bolsonaro ou Fernando Haddad, extrema capacidade de negociação. Ambos falam em mudanças de legislação que dependem de votações qualificadas - como reformas no sistema de impostos, por exemplo. A tradicional oferta de cargos e verbas como armas para conquista de apoio terá efeito limitado por duas razões: o baixíssimo caixa do governo e o forte monitoramento deste tipo de estratégia, amplamente reprovada nas urnas.

A situação também implode o velho método de escolha dos presidentes da Câmara e do Senado - cargos estratégicos, que concentram poder e afetam a governabilidade. Como PT e MDB tiveram por décadas as maiores bancadas na Câmara e no Senado, fecharam acordo de alternância nestes dois cargos - o que nem sempre funcionou plenamente. O MDB vem conseguindo manter a hegemonia no comando do Legislativo.

Agora o PSL, de Jair Bolsonaro, é o segundo maior partido da Câmara, com 52 eleitos - número que pode crescer depois da posse do novo Congresso, principalmente se o ex-capitão for eleito. Se o PSL superar a bancada do PT, que elegeu 56 deputados, certamente pleiteará a presidência da Câmara. O MDB, reduzido a 34 deputados, perde condições de influência nesta disputa. A mudança é radical na correlação de forças e promete projetar politicamente uma nova leva de deputados, até aqui considerados de baixa densidade ideológica ou simplesmente desconhecidos - o chamado “baixo clero”.