CPI da Covid

Christina Lemos Pazuello responderá a todas as perguntas, diz advogado

Pazuello responderá a todas as perguntas, diz advogado

Defesa entende que advogados que acompanharão ex-ministro na CPI poderão fazer "intervenções pontuais” no lugar do general

Eduardo Pazuello será ouvido na CPI da Covid nesta quarta (19)

Eduardo Pazuello será ouvido na CPI da Covid nesta quarta (19)

Marcelo Camargo/Agência Brasil - 10.03.2021

Ao contrário das expectativas, o ex-ministro da Saúde não pretende lançar mão do recurso de permanecer em silêncio durante seu depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (19). “Ele irá responder a todas as perguntas”, declara o advogado Zoser Hardman, interlocutor do time que atua na defesa do general. E revela parte da estratégia: “Ele não entrará em rota de colisão. Ou, ao menos, evitará ao máximo cair em provocações”. E acrescenta, “para isso ele está preparado”.

Segundo Hardman, o habeas corpus concedido pelo STF permite que os advogados atuem “de forma mais incisiva” durante a sessão. A ideia é que os defensores de Pazuello intercedam para “questionar perguntas subjetivas e impressões pessoais sobre o presidente”. Ainda não se sabe como os senadores reagirão a essas intervenções. Usualmente, em CPIs, a palavra dos advogados é rejeitada e aceita apenas a orientação ao depoente.

O ex-ministro, conhecido pelo temperamento e padrão de atitude de general, teve de acatar a orientação de sua defesa, de recorrer ao habeas corpus. “Não sou covarde”, repete usualmente o general, sempre que colocado diante da situação de evitar o confronto. A mesma resposta era dada todas as vezes que Pazuello era perguntado se pediria demissão do ministério.

O general comparecerá à CPI munido de dados, planilhas com datas, reuniões, compras, registros de repasses de verbas, gráficos sobre a evolução da pandemia - a maioria, informações que Pazuello domina de memória, em função dos depoimentos à Polícia Federal e ao próprio senado, em Comissão Geral. As últimas revelações da CPI também estão mapeadas para a resposta aos senadores.

As medidas jurídicas foram cautelares - adotadas para o caso de a situação fugir ao controle, explicam auxiliares do ministro. A tese de que o Planalto teria abandonado Pazuello é descartada pelos assessores mais próximos. “Abandonado como? Com a AGU defendendo? Com contato diário com o Onix? E contato constante com Bolsonaro?”, destacam.

E descartam a possibilidade do ministro responsabilizar direta ou indiretamente o presidente da República por erros na condução da pandemia. A lealdade de Pazuello nunca esteve em questão para o Planalto. No entanto, também não se espera que o ministro chame para a si a culpa pelos resultados da gestão federal, que Pazuello defenderá com firmeza.

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