Christina Lemos Políticos veem mudança na Defesa como “recado” de Bolsonaro

Políticos veem mudança na Defesa como “recado” de Bolsonaro

Iniciativa do presidente seria demonstração de força em momento de fragilidade política. Reunião entre militares e evolução do diálogo no alto comando são acompanhados com atenção

Aliados e adversários do presidente Bolsonaro acompanham com atenção os desdobramentos ao longo desta terça-feira da troca de comando no ministério da Defesa, efetuada ontem pelo presidente Bolsonaro. Diluída no âmbito de uma mini-reforma ministerial, a mudança hoje é vista como a mais importante das alterações no primeiro escalão por potencialmente representar uma demonstração de forças do presidente, diante de sua crescente dependência de aliados no Congresso.

Braga Netto, que assume a Defesa: vinculo umbilical com as posições de Bolsonaro

Foto: Alan Santos/PR

Braga Netto, que assume a Defesa: vinculo umbilical com as posições de Bolsonaro Foto: Alan Santos/PR

Alan Santos/PR - 27.10.2020

A eventual troca do comandante do Exército, general Pujol, considerado “neutro”, por nome mais alinhado com o Planalto será a sinalização mais preocupante. Até o momento, o ministro que sai, Fernando Azevedo, era visto como anteparo eficiente à politização dos militares da ativa, inclusive com pontuais manifestações públicas de reforço a posições do presidente, como chegou a ser feito pelo general Villas Boas. Tal postura, no entanto, não conta com o apoio entre os atuais comandantes das três forças.

O ministro que assume, general Braga Netto, egresso da Casa Civil – o ministério palaciano por excelência - é visto como militar com “vínculo umbilical” às posições de Bolsonaro. Entre políticos, a expectativa é de tensão na esfera militar pelos próximos dias, que marcarão eventuais mudanças na inflexão da tropa ou resistência aos projetos presidenciais.

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