Christina Lemos STF: decisão precipita reorganização de forças políticas

STF: decisão precipita reorganização de forças políticas

Menos de 24h após sentença de Fachin que devolve elegibilidade a Lula, partidos e potenciais pré-candidatos temem polarização e definem em que campo político pretendem atuar até 2022. 

Marcar o campo de atuação política diante de um cenário eleitoral com a volta de Lula foi a principal preocupação das diversas correntes e partidos, imediatamente após a decisão do ministro Edson Fachin, que na prática anulou condenações a Lula, o que restabelece seus direitos políticos. Do pequeno Partido Novo, ao pré-candidato João Dória, a resposta foi praticamente imediata: um esforço por demarcação de território que, há pouco menos de 2 anos da eleição, sinaliza para a aglutinação do centro conservador e pelo temor da volta da polarização.

Estátua que simboliza a Justiça no STF: decisão de Fachin obriga partidos a marcar posição no campo político

Estátua que simboliza a Justiça no STF: decisão de Fachin obriga partidos a marcar posição no campo político

Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O Partido Novo, que surgiu como contestação tanto ao governo do PT quanto aos partidos tradicionais, anunciou por meio de nota que será oposição a Bolsonaro. Para deixar claro que não há margem de apoio a Lula, coloca-se contra o que chama de polarização: “trabalhará ainda mais arduamente para que o Brasil tenha um caminho alternativo nas urnas”.

No PSDB, o comando também veio a público marcar posição contra “candidatos que tem representado os extremos”. Mais expressiva que a manifestação do presidente da legenda, Bruno Araújo, foi a do próprio governador de São Paulo e potencial pré-candidato, João Doria. O tucano ressaltou em poucas palavras que ser contrário a Bolsonaro não é ser favorável a Lula. “A polarização favorece os extremistas que destroem o país”, declarou Doria.

Nos partidos ligados ao chamado Centrão, alvos preferenciais da Lava Jato, a primeira preocupação foi com a própria pele. Chama atenção a resposta pública do presidente da Câmara, o pepista Arthur Lira veio em menos de uma hora após a decisão de Fachin: “minha maior dúvida é se a decisão monocrática foi para absolver Lula ou Moro. Lula pode até merecer. Moro, jamais.” De forma direta, o presidente da Câmara demarca os limites do que considera aceitável, da parte do Judiciário.

Entre os representantes da esquerda, a manifestação mais estridente veio de Ciro Gomes (PDT). Outro potencial pré-candidato à presidência que tenta se viabilizar como alternativa antipolarização para 2022 reagiu de forma ácida ante a possibilidade da volta de Lula à disputa: “não contem comigo para este circo”, declarou. 

Há menos de dois anos do embate eleitoral, o Judiciário é que move a primeira pedra do xadrez político, mantendo seu poder de interferência direta e indireta no processo, numa interação com os demais poderes que foi determinante para o cenário atual. 

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