Christina Lemos Troca de insultos na CPI ofende o eleitor e diminui o Senado

Troca de insultos na CPI ofende o eleitor e diminui o Senado

Espetáculo diário de xingamentos recíprocos normaliza discurso violento e despreza mandato representativo outorgado pelo cidadão

A despeito dos méritos da investigação e das importantíssimas revelações feitas pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia, já passou muito dos limites do bom senso a troca de insultos diária entre depoentes e senadores e entres estes e seus pares. As cenas diárias de falta de civilidade rebaixaram as sessões do colegiado aos piores espetáculos, que faturam com o discurso violento e o bate-boca de baixíssimo nível.  Um ambiente de hostilidade em que tudo passou a ser permitido e que afeta profundamente o respeito pelo senado, sem que nenhum dos responsáveis por zelar pela instituição se mobilize para restaurar a normalidade.

Transmitidas ao vivo e repetidas à exaustão por todos os meios de possíveis, as cenas fornecem verdadeiras aulas de como atacar o adversário de forma vil, de como mentir perante a população, de como calar a verdade sob o manto da autoproteção, fornecido pela Justiça, e se transformaram numa espécie de curso intensivo de falta de ética.

A justa indignação perante o descalabro da pandemia deu lugar à completa falta de regras de inquirição, que passou a permitir os mais diversos graus de provocação: da ironia ao cinismo, até a ofensa. A resposta dos depoentes, por sua vez, vem à altura, com ataques frontais aos parlamentares da mais nobre representação do sistema democrático, que é o senado.

A escalada da irracionalidade transformou a disputa política em confronto pelo confronto, sem o mínimo autocontrole ou freio institucional, fornecendo péssimo exemplo à população que acompanha.

O perigoso resultado desta degradação das relações é o descrédito, que funcionará como golpe de morte nos próprios resultados da investigação, tão importante para elucidar a maior calamidade de saúde que o Brasil já viveu.

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