Coronavírus

Vacina paga contra coronavírus gera polêmica

Brasil tem terceiro mercado privado de vacinas do mundo. Clínicas particulares dizem que ação é complementar. Para epidemiologistas, medida acentua desigualdade entre pobres e ricos

Clínicas particulares querem importar 5 milhões de doses.

Clínicas particulares querem importar 5 milhões de doses.

Mike Blake/Reuters

Faltando cerca de dez dias para o prometido início da campanha federal escalonada de vacinação contra a Covid-19, ganha força a polêmica sobre a possibilidade de acesso ao imunizante mediante pagamento a clínicas particulares, que anunciaram a intenção de importar vacinas da Índia. O governo federal, que prevê vacinação gratuita por meio do SUS, já declarou que não pretende vacinar toda a população e não esconde as dificuldades até mesmo para a aquisição das primeiras doses. A aquisição individual do imunizante, no entanto, é criticada por especialistas da área.

A vacina paga é vista por epidemiologistas como retrocesso, já que a universalização gratuita do processo é que teria permitido a erradicação de diversas doenças - como poliomielite, varíola, sarampo - ao estabelecer tratamento igualitário à população, sem distinção entre pobres e ricos. Representantes das clínicas particulares ressaltam, porém, que a urgência estabelecida pela pandemia e o cenário de falta de recursos públicos exigem o que classificam de “ação complementar” por parte do sistema privado.

O mercado privado brasileiro é o terceiro do mundo – perdendo apenas para Estados Unidos e Rússia, segundo dados de representantes do setor. O negócio da vacina contra o coronavírus projeta ganhos bilionários, mas ainda é apenas uma promessa, diante da dificuldade mundial de fabricação e fornecimento do imunizante em larga escala.

A Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), que já anunciou a intenção de comprar da Índia 5 milhões de doses da Covaxin, garante que não está em competição com o governo federal e que seu objetivo é atender adicionalmente pelo menos mais 2,5 milhões de brasileiros.

Últimas