Coluna do Fraga Moro age politicamente ao defender Onyx Lorenzoni

Moro age politicamente ao defender Onyx Lorenzoni

Futuro ministro da Justiça ressaltou comprometimento do colega de transição na pauta anticorrupção, mas não fala em confiança irrestrita

Moro age politicamente ao defender Onyx

Moro age politicamente ao defender Ônyx

Moro age politicamente ao defender Ônyx

Mateus Bonomi/AGIF/Folhapress - 20.11.2018

O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, deixou claro, ao comentar sobre a abertura de investigação contra o seu colega de transição Onyx Lorenzoni, que aposentou mesmo a toga e age politicamente desde que foi desligado da Justiça Federal.

Moro já trabalha lado a lado com Lorenzoni na transição. Os gabinetes do futuro chefe da Casa Civil e do futuro super ministro da Justiça são um de frente para o outro no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil, sede do governo de transição). Não interessa a Moro, portanto, nesse momento, colocar em suspeição a conduta do colega. Ao mesmo tempo, Moro também não pode mudar completamente a sua atuação anticorrupção, que pautou a sua carreira jurídica. Ao falar da situação de Onyx, Moro lembrou do seu empenho para aprovar medidas anticorrupção no Congresso. 

— Sobre isso eu já me manifestei anteriormente e as questões devem ser indagadas a ele. O que eu tenho, a presente, do ministro Onyx, e isso eu assisti de perto, foi o grande esforço que ele realizou para aprovar as 10 medidas do Ministério Público, ocasião na qual ele foi abandonado pela grande maioria dos seus pares, por razões que não vem aqui ao caso. Mas ele demonstrou naquela oportunidade o comprometimento pessoal, com custo político significativo, para a causa anticorrupção. Então, ele tem a minha confiança pessoal em relação a esse trabalho. 

O mais interessante é que Moro falava "ele tem a minha confiança pessoal", mas terminou a frase, em tom mais baixo, dizendo "em relação a esse trabalho". Ou seja, não declarou confiança irrestrita porque sabe, que no futuro, essa "conta" pode chegar. Assim agem os políticos, com cálculos de longo prazo. 

Questionado sobre outro assunto, o julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula pelo STF, ele mostrou mais uma vez que já virou a página da carreira.  

— A questão relativa ao ex-presidente Lula pertence à Justiça, e não ao futuro ministro. Então isso faz parte do meu passado e eu não tenho nenhum comentário. 

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