Coluna do Fraga Preso na Lava Jato, Moreira Franco foi mestre nas intrigas do poder

Preso na Lava Jato, Moreira Franco foi mestre nas intrigas do poder

Apelidado de gato angorá e anjo mau, político esteve próximos de todos os presidentes desde José Sarney e articulou impeachment de Dima Rousseff

Moreira Franco preso, marcelo bretas

Moreira Franco, aliado de Michel Temer, foi preso na Operação  Lava jato

Moreira Franco, aliado de Michel Temer, foi preso na Operação Lava jato

Bruno Kelly/Reuters

Chamado por Leonel Brizola de gato angorá por causa cabelos brancos e  sempre aderir ao poder, como o “bichano” que passa de colo em colo, Moreira Franco também recebeu o apelido de anjo mau, mas na verdade foi sempre um camaleão na vida política.

MDB: não há irregularidade por parte de Temer e Moreira Franco

Teve status de ministro no governo de Michel Temer depois de ser um dos articuladores do impeachment de Dilma Rousseff. E também foi ministro de petista, que ajudou a derrubar do poder, além de ter assessorado Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi casado com a neta de Getúlio Vargas, Celina Vargas do Amaral Peixoto, e por isso na década de 1980 também ficou conhecido como o “genro do genro”. A união durou com Celina durou até 1989.

Hoje, Moreira Franco é casado com a sogra do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

Foi governador do Rio de Janeiro, prefeito de Niterói, três vezes deputado federal, vice-presidente da Caixa Econômica Federal e ocupou secretarias importantes.

Moreira Franco   nasceu em 19 de outubro em Teresina (PI) e mudou-se ainda criança com a família para o Rio de Janeiro.
Começou na política estudantil aos 15 anos, quando o presidente era Juscelino Kubitschek.

Depois do golpe militar de 1964, o estudante de sociologia da PUC integrou a Ação Popular, grupo de resistência ao regime.
Foi preso em 1967, acusado de subversão política. Entrou no MDB em 1972 e eleito deputado em 1974. Em 1979 foi para a Arena, partido que apoiava a ditadura.

Com o fim da ditadura e a ida do PMDB ao poder com José Sarney assumindo a presidência da República após a morte de Tancredo Neves, decidiu mudar de lado e voltou a ser peemedebista, legenda em que permanece até hoje e que voltou a ser MDB.

Como governador, foto com bicheiros

Moreira Franco foi eleito governador do Rio de Janeiro em 1986, no embalo do plano Cruzado e a curta popularidade de Sarney, com quem viria a romper logo depois. Como governador, enfrentou acusações de desvios e concorrências irregulares. Em fevereiro de 1991, prestes a deixar o cargo, recebeu no Palácio Guanabara a cúpula da contravenção e foi fotografado ao lado de bicheiros como Anísio Abrão David, e Carlinhos Maracanã.

Ainda como governador do Rio, seu preparador físico foi um dos envolvidos no sequestro do publicitário Roberto Medina, que só foi liberado após pagamento de resgate.

Temer, o grande amigo

A amizade de Moreira Franco com Michel Temer começou em 1995, quando atuou na campanha do ex-presidente para a liderança do PMDB. A proximidade era tanta que Moreira Franco foi apontado como o grande conspirador contra Dilma Rousseff antes e durante o processo de impeachment da petista. Sempre negou a acusação. “O PMDB não trai nunca”, disse.
Também teria sido Moreira Franco o autor da famosa carta de Michel Temer a Dilma Rousseff, em que dizia ser um “vice-decorativo” O político sempre negou ter sido o ghost-writer.

Com Temer no poder, assumiu a Secretaria-Geral da Presidência.

Lava Jato

Quando foi nomeado por Michel Temer secretário-geral da Presidência, o senador Randolfe Rodrigues e o Ministério Público Federal afirmaram que tudo era uma manobra para dar ao aliado a imunidade do cargo com o status de ministro.

O MPF ouviu dos delatores da Odebrecht várias vezes citações ao nome de Moreira Franco, que na planilha de pagamento de propinas da empreiteira teve o nome associado ao gato angorá.

A ordem de prisão de Moreira Franco partiu do juiz federal Marcelo Bretas, que comanda a Lava Jato no Rio de Janeiro.
A base para o pedido de prisão teria sido a delação do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, que teria envolvido o nome do peemedebista em esquemas de fraudes na Caixa Econômica Federal, realizadas enquanto ele era vice-presidente da instituição financeira.

Em dezembro de 2014, Moreira Franco disse em um evento no Rio de Janeiro que a Lava Jato iria trazer "profundas consequências na governança e na gestão da  Petrobras".

Moreira Franco pareceu antever o que aconteceria com a estatal do petróleo, só não imaginou que tudo acabaria com a sua prisão. Agora, resta saber se o velho político conseguirá usar tudo o que aprendeu como gato angorá, anjo mau e camaleão para sair da cadeia.

Veja o momento da prisão de Moreira Franco no RJ