Coisas da vida

Projeto Sólidus oferece alimentos, cobertores e apoio moral aos moradores em situação de rua de Belo Horizonte

Voluntários oferecem apoio para moradores de rua

Voluntários oferecem apoio para moradores de rua

Reprodução / Redes sociais

Quando você é responsável por um programa de televisão de prestígio tem a obrigação de fazer as três perguntas que devem nortear as decisões de nossa vida: quero? Devo? Posso? O que quero fazer nem sempre devo, pois pode contrariar parte considerável dos telespectadores, implicar em razões que são complexas, como as religiosas. Mas, sempre, como estou em um veículo que depende da audiência e da credibilidade para ter faturamento, a resposta fundamental é para o “Posso?”. Caso contrário, posso perder público e, em médio prazo, o emprego.

Gosto muito mais da prestação de serviços, do ajudar projetos que socorrem os mais necessitados. Entretanto, é preciso trazer o noticiário policial, sempre recheado com as mazelas mais absurdas da sociedade. É preciso também tratar de assuntos da maioria, como a covid-19, neste momento. Sempre que possível, abro espaço para algo simples que provavelmente não terá repercussão em veículos de maior importância.

Assim é que, recentemente, recebi no Instagram um pedido da advogada Larissa Ferraz para divulgar o projeto “Sólidus” de apoio aos que estão perambulando por nossas ruas. Na sexta, a recebi na Itatiaia, acompanhada de Rafael Alves, idealizador do projeto. Foi prazeroso ouvir que já são 200 pessoas envolvidas, e de todas as partes da cidade – ela, por exemplo, é do Betânia, ele, do Aglomerado da Serra.

A parte inesperada e emocionante foi quando Rafael agradeceu a oportunidade e disse, com a simplicidade dos que nunca tiveram visibilidade a seguinte frase: “Estou muito feliz, pois, é a primeira vez que alguém da minha rua aparece no rádio dentro de notícia boa”.

Por que tem de ser assim? Por que pessoas nascem já fadadas ao ostracismo eProjeto Sólidus oferece alimentos, cobertores e apoio moral aos moradores em situação de rua de Belo Horizonte ao risco, só pelo fato de habitarem as chamadas áreas vulneráveis? Por que um jovem tem de celebrar o fato de que um veiculo de comunicação que é concessão pública, portanto tem o dever de servir, abriu espaço para ele ajudar?

Perguntas que só papai do céu, na sua imensa bondade, pode responder. Mas, ele continua fazendo milagres. Rafael é exemplo porque já completou 24 anos, idade em que muitos jovens da geração e da vizinhança dele já morreram, vítimas das circunstâncias.

Acesse @projetosolidus, com u e s no final e ajude Rafael a fazer a diferença.

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