E quem dá o exemplo?

Presidente Bolsonaro causou aglomeração e não usou máscara em evento com apoiadores no Rio de Janeiro, neste domingo (23)

Apoiadores seguiram o presidente em passeio de moto no RJ

Apoiadores seguiram o presidente em passeio de moto no RJ

Reprodução Alan Santos / Agência Brasil

O mundo inteiro está pedindo para ajudarmos. Só mais um pouco. Até que a vacina chegue à maioria das pessoas e, assim, tenhamos o chamado efeito de rebanho, controlando a pandemia. Em países ricos a situação já virou: show na Austrália, jogos com torcida na Inglaterra e até turismo da imunização nos Estados Unidos. É só mais um pouco de esforço porque todos sabemos do quanto estamos todos cansados das restrições.

E as pessoas até que ajudam. Na imensa, esmagadora maioria. Alguns jovens rebeldes insistem nos bailes funks da periferia, alguns produtores irresponsáveis chamam para festas em condomínios e torcidas organizadas – que, sabemos, de organizadas não têm nada – aglomeram para ver a final do mineiro. Por falar em futebol, a Olimpíada continua ameaçada em Tóquio e a Copa América não será mais na Colômbia e provavelmente também não na Argentina. O esforço é mundial.

Porém, no Brasil é muito difícil entender as autoridades. No plano nacional, quem gosta de Bolsonaro diz que estamos derrapando porque, no lugar de derrubar o vírus, queremos derrubar o presidente. Vamos supor que eu concorde; mas, isso me dá o direito de perguntar para quem ama o capitão: precisa ele continuar reunindo gente, aglomerando, sem usar máscara, provocando a oposição e desrespeitando 450 mil mortos? Dirão: Eduardo, é o jeito que ele tem de se mostrar à nação porque os veículos de comunicação não divulgam seus feitos, não o tratam com o devido respeito.

Aí, vai o repórter da CNN Brasil fazer a cobertura do encontro de motos com Bolsonaro e é expulso do evento, ameaçado de espancamento, tem de sair correndo e amparado por policiais.

Por falar em policiais, aqui tivemos dois eventos envolvendo agentes da segurança. No mais grave, um policial penal foi morto às 3 da madrugada de domingo numa festa em Vespasiano, em episódio que envolveu militares. Quando indagada a respeito, a Secretaria de Segurança respondeu que os policiais estavam em horário de folga.

Como assim? Só isso? Então, agentes do Estado não têm que dar o exemplo? Não é hora de o governador exigir que se comportem com a autoridade de quem vai cobrar dos outros o respeito aos protocolos?

Ah, voltando à “motociata” do Rio, o general – o general – Pazuelo também sem máscara é demais para o meu coração. Assim o vírus deve pensar: o brasileiro num vai guentá.

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