STF

Quem julgará a suspeição do Supremo?

Como cidadão sinto-me à vontade para colocar o espanto diante das decisões que são tomadas na mais alta corte do país

Decisão pela suspeição de Moro aconteceu nesta terça-feira (23)

Decisão pela suspeição de Moro aconteceu nesta terça-feira (23)

Nelson Jr./SCO/STF

A máxima de que “decisão da justiça não se discute, se cumpre” me parece cada vez mais questionável. Não seria leviano de questionar o voto dos ministros do Supremo Tribunal Federal no julgamento do juiz Moro, mas, como cidadão que quer um país melhor sinto-me à vontade para colocar o espanto diante das decisões que são tomadas na mais alta corte do país e perguntar se não está na hora de discutirmos limites também para o STF.

O país não consegue dar três passos para frear os corruptos, punir os poderosos e restabelecer a crença das pessoas na filosofia de ato e consequência. Quando votaram a prisão de condenado em segunda instância, imaginamos que finalmente o lógico iria prevalecer, pois, se alguém é julgado por um juiz e, depois, por um colegiado, com longo processo e juntada de provas é de se supor que não estaremos colocando um inocente na cadeia. Mas, se houver dúvidas, que continue recorrendo, porém, preso. Eis que vai daqui, dali uma ministra muda o voto e todos os condenados ricos ou poderosos continuam livres, leves e soltos.

Depois, entre outras decisões incompreensíveis para o grande público, um só ministro decidiu abrir um inquérito, tornou-se o investigador, julgou e mandou prender pessoas acusadas de ameaças.

Agora, de novo uma ministra muda o voto, uma turma declara a suspeição do Moro e tudo o que ele decidiu em relação ao Lula vai para a lata de lixo. Se o juiz cometeu excessos, com condução coercitiva inconstitucional, interceptação indecente de ligações dos advogados, conversas nada republicanas com a promotoria, que seja punido. Na verdade, ele já foi, porque o cargo de ministro trouxe o pesadelo e de herói nacional passou a vergonha internacional.

O que dói no peito de quem precisa dar bom exemplo aos filhos, fazê-los acreditar que o certo é ser honesto, é saber que Lula está hoje livre, candidato e aclamado por dezenas de milhões de brasileiros. Como se não tivesse nada a ver com aquele horror que a Lava Jato descobriu. Vão jogar tudo na lata de lixo, dizendo que são provas imprestáveis porque o juiz é parcial.

Mas, e os R$5 bilhões devolvidos por ladrões aos cofres públicos? E os R$100 milhões que Palocci, ministro que Lula escolheu para cuidar da economia e é só um dos ladrões, devolveu? E a mala que o Aécio mandou o primo pegar, a conversa inacreditável do presidente Temer com o mau caráter da JBS?

Isso tudo é um sonho nosso? Ninguém roubou nada? Vamos tocar a vida e aplaudir o Gilmar Mendes, esperando que Lula processe o Estado por prisão ilegal e receba indenização paga por nós?

Eu, respeitosamente, preciso perguntar: O Supremo julgou o juiz Moro suspeito, mas, quem pode julgar a suspeição do Supremo?

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