Reflexões em torno da vacina

Parte da população mundial questiona se o imunizante contra o novo coronavirus é seguro e deve ser tomado

Mais de 30 milhões de pessoas já foram vacinadas no Brasil até o momento

Mais de 30 milhões de pessoas já foram vacinadas no Brasil até o momento

Reprodução / Pixabay

André Freitas foi meu vizinho na infância. Depois, meu colega de trabalho no jornalismo. Hoje mora na Flórida, Estados Unidos, e, de lá, me faz um apelo para ouvir pessoas que não querem ser vacinadas. Perguntei se ele conhece muita gente, respondeu que sim; e que ele mesmo só decidiu tomar por ouvir pessoas nas quais acredita, mas, no fundo, não queria.

Por que? Perguntei.

Respondeu: “Não sei se as vacinas estão efetivamente prontas ou foram feitas às pressas, não tenho confiança; ademais, sou saudável, tomo ivermectina todo mês, um copo de vinho praticamente todas as noites, faço ginástica, me cuido, tenho convicção de que se o vírus chegar vou procurar um médico e me safar”.

O André, que no domingo toma a segunda dose, concorda que pode ser ignorância, mas, quem não quer tomar deve ser respeitado e merece ser ouvido. Ele diz que muitos brasileiros residentes lá na Flórida não vão tomar.

A mensagem do André me pôs a pensar sobre as responsabilidades de um jornalista em momento tão único da nossa história: a primeiro é, sem dúvida, acreditar na ciência, pedir a Deus saúde para os profissionais da área e reverenciar nosso Sistema Único de Saúde.

Mas, embora eu esteja mil por cento convencido de que a vacina é a saída, a única em termos definitivos, e que o ato de vacinar-se demonstra amor à própria vida e respeito à dos outros, eu devo sim ouvir os que insistem em não tomar, saber por que, tentar entender e, claro, buscar junto aos especialistas argumentos que possam convencer esses desconfiados.

E mais: embora esteja ciente de que não há comprovação de efeitos reais no tratamento preventivo, preciso ouvir os que, como o André, tomam um vermífugo acreditando que vai resolver. Não posso estimular esse sentimento, mas, devo respeitá-lo.

Da mesma forma, assim como não admito médico me ensinando a entrevistar, devo reiterar meu respeito à relação de médico e paciente, ou seja, o que o médico prescrever, seja azitromicina, cloroquina ou purgante não é da minha conta. E nem devo fazer discurso contra, embora registre sempre a fala dos infectologistas contra tratamentos sem eficácia comprovada e possíveis consequências danosas a saúde.

Por fim, aos que insistem em dizer que tem gente sendo enterrada como vítima da covid-19 mesmo com outra causa da morte, sugiro que fiquem de ouvidos atentos ao porque a colega Mônica Miranda prepara reportagem a respeito.

O repórter é o meio entre quem tem histórias e quem gostaria ou precisa ouvi-las. Ainda que lhe pareçam absurdas.

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