Dores e delícias da ciência na nossa vida

‘Modos de fazer’ e descobertas desde sempre juntaram e separaram partículas e pessoas 

A ciência requer evidências comprováveis

A ciência requer evidências comprováveis

Chokniti Khongchum/Pexels

Talvez eu já tenha escrito, mas um eventual repeteco não invalida uma reflexão que, mais do que nunca, se faz pertinente. O século 20, período em que a imensa maioria dos leitores aqui nasceu e floresceu, provavelmente tenha sido na história do Homem no mundo o tempo no qual as maiores transformações sociais, políticas e científicas tenham ocorrido. Acontecimentos, descobertas e criações não faltam para ilustrar estes e outros setores da atividade humana

E nos dias atuais, em que debates sobre validades de teorias e métodos para se enfrentar este primeiro mal do século (alguém duvida que não teremos mais problemas gigantes a enfrentar até 2100 ?) tomam as praças (virtuais), ter boas fontes e se informar da maneira mais assertiva possível parece ser uma tarefa da qual não podemos desviar.

A ciência é um desses caminhos (há outros, fato) e, para muitos, o único, indiscutível e fértil meio da humanidade sair dos perrengues que são originados pela própria manufatura ou de outros reinos da natureza, sem esquecer que pertencemos (ainda) ao animal. Mas o viés científico é perfeito como acesso a sabedoria necessária? Pode nos salvar, conservar a vida diante deste grave problema de saúde atual?

Uma das maiores virtudes da ciência, para quem é da área e entende de metodologia, é buscar o conhecimento com foco na melhoria da qualidade de vida; é compreender fenômenos que lidamos no dia-a-dia, simples ou complexos, como o funcionamento do corpo humano e suas interações como mundo. Mas há sempre alguma contradição no que podemos fazer de melhor nesta epopeia da vida e, na ciência não seria diferente, pois por mais que seja voltada para o bem do ser humano, é líquido e certo que nem todos terão acesso aos benefícios por ela realizados.

E nem falo aqui do que acaba virando arma para dizimar populações, já que muito do que realizamos à luz da ciência, da pesquisa, também virou meio letal para acabar com a gente mesmo. Somos assim.

Também é fato que a ciência trabalha com verdades possíveis e não absolutas e/ou definitivas, pois novas descobertas complementam o teor adquirido anteriormente ou mesmo o rejeitam quebrando modelos, tornando-o obsoleto sem ferir, contudo, sua contribuição até então. Isso é facilmente notável na evolução nas áreas tecnológicas, na saúde e mobilidade, por exemplo. Não estaríamos onde estamos se tivéssemos nos contentado somente com o domínio do fogo para assar carnes, derreter metais ou aquecer o ar que nos rodeia.

De modo autônomo, o ‘fazer’ da ciência requer evidências comprováveis que possam ser avaliadas de forma independente, e repetições via protocolos. Respeitadas todas as formas de se buscar o bem-estar de cada ser humano em seus respectivos processos, a cultura e o conjunto das ações que a moldam merecem um espaço soberano, assim como a ciência — que também é insumo cultural —, quando ocupa seu ‘pedaço’ em nós.

Contudo, historicamente a ciência nunca gozou de unanimidade e sempre produziu, com seus feitos e falhas, além de seus fãs os seus críticos. Nada mais humano e natural.