Esperamos, em duplo sentido, um novo clima

Faz-se urgente lidar melhor com os meios naturais terrenos ouvindo as ciências e o conhecimento, a fim de continuar a espécie sapiens

Imagem de queimada na Amazônia

Imagem de queimada na Amazônia

Arquivo R7

Vem aí nesta semana a Cúpula do Clima, encontro com cerca de 40 chefes de estado promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que tenta marcar mundialmente seu protagonismo no tema e, a partir daí, alçar alguma liderança nos debates acerca do meio ambiente global após a criticada era Trump quanto ao assunto. A reunião é vista como preparatória para outra que acontecerá no fim de 2021 na Escócia, pautada pela ONU.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, participará desta rodada e, por certo, será cobrado pelas demais nações quanto às políticas públicas adotadas para a preservação ambiental no país, que reúne importantes biomas em seu território avançando sua diversidade ecossistêmica para áreas marítimas, inclusive.

Para além de promessas, cobranças, derrapadas de autoridades aqui e acolá na discussão acalorada que se faz sobre o tema, é no Brasil que o meio ambiente desperta o maior interesse planetário justamente pela riqueza embutida nas suas fronteiras secas e molhadas. Riqueza esta que, volta e meia, há décadas, entra no noticiário internacional por conta de ocorrências sérias que empobrecem suas valiosas variedades biológicas.

Queimadas florestais que atordoam a quem assiste pela tevê ou sente de perto o ardor na pele são recorrentes por aqui. Derrubadas ilegais de árvores nativas e de grande valor comercial, negociadas no mercado negro dentro e fora do Brasil, também machucam nosso ideal de preservação. Garimpos clandestinos que poluem os rios adjacentes com metais pesados dentre eles o mercúrio, matando e contaminando fortemente sua fauna e quem deles precisa para viver, como os indígenas do centro-oeste e norte do Brasil. São exemplos imensuráveis em sua extensão pela devastação que provocam.

O ‘problema‘ é que a sociedade urbana, litorânea e mais abastada que se encontra majoritariamente fora das áreas mais sensíveis em matéria de ‘preservação da natureza’ parece apartada desse adoecimento que ocorre nas entranhas da nação, ferida profundamente para abastecer o mercado que serve a esse mesmo povo ‘da cidade’. Fora lixões e descartes irregulares e criminosos de dejetos humanos e materiais em mananciais, que mesmo estando nas franjas dos centros das grandes cidades, acabam por afetar a qualidade de vida de todos, ricos e pobres, com peso maior nas populações sem acesso a saneamento básico, sem coleta de lixo comum e reciclado, sem amparo das autoridades.

Clima e moradia, assim como sustentabilidade e emprego, são falsíssimos paradoxos, como são falaciosos outros elementos recombinantes entre suas várias possibilidades de cruzamentos de estudos como mineração sustentável, combustíveis fósseis, fontes renováveis de energia, agronegócio, agroecologia, turismo ecológico, pesca industrial, áreas de reflorestamento, pecuária, extrativismo, cultura indígena, folclore, medicina, agrotóxicos, artesanato, populações ribeirinhas, esgotamento sanitário, antropologia, eletrificação rural, manejo da água/segurança hídrica, racionalização do uso do que é de direito de todos. Não podemos negar que precisamos de tudo isso para nosso bem-estar material e entendermos quem somos para gerir nossas demandas e anseios, nosso presente e futuro como bilhões de seres humanos que já somos.

Tem espaço para todos, mas há, imperiosamente, de ser respeitado o limite que o planeta já manifestou ter para prover, dar conta das nossas necessidades nas distintas áreas listadas acima, fora outras tantas. Isso tudo não pode sair nunca de nenhum debate sobre o meio ambiente, e as ciências humanas, biológicas e exatas entrelaçam-se em formato de corda para nos apegarmos sem medo de nos enforcarmos nela.

Só uma última coisa ainda dentro do tema: obrigatoriamente haveremos de rever nosso consumo, priorizar recursos renováveis e comungar nossos bens materiais produzidos ao maior número de pessoas possível.

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