Faces e fases da juventude

Deliciosa, a mocidade nos apresenta um mundo sedutor e infinito que, como tudo na vida, mostra seu preço e cobra o seu valor

O funkeiro MC Kevin

O funkeiro MC Kevin

Divulgação

Para muitos, a morte nunca é precoce; acontece no tempo ‘certo’ sendo este momento uma ‘decisão’ que pertence ao divino. Outros acham que pode, sim, haver uma interrupção da vida ‘antes’ dela deslanchar, cuja ocorrência leva à sensação de que a pessoa ainda teria muita coisa a fazer ainda neste plano biopsicológico. Independentemente de como se olha a saída de cena de alguém, há algo que se nota pela dinâmica social ao qual o indivíduo está atrelado e isso se materializa de forma mais realista quando quem morre é um jovem, uma criança ou um bebê.

Quanto aos que ainda estão nas fraldas e os que já saíram dela mas ainda não alcançaram sua plenitude de quem são e o que representam nas vidas de quem as cercam, é de fato triste que a vida lhes seja tirada, vamos dizer assim, sem diferenciar aqui se foi o céu, uma doença ou um acidente fatal no percurso. A dor da perda de quem ainda nem fala ou de quem brinca como se não houvesse o amanhã é dor, pronto, e há de ser respeitada por ser algo que beira o incompreensível do universo humano, nem que individualmente sentida em sua profundidade.

Focando um pouco no jovem, este quando morre, seja lá como, nos parece que uma piedade maior aperta o peito e cozinha a mente pelo fato de que esta pessoa, mais do que um sujeito de si, já carrega em sua existência uma espécie de consciência da magnitude, do esplendor da vida. E aí, é quase impossível não fazer, acabamos por analisar o comportamento daquele que se foi e sua parcela ou não de ‘culpa’ pelo próprio fim.

Uso de drogas lícitas ou ilícitas e exposição do corpo a riscos diretos em atividades como esportes radicais, trabalhos insalubres etc., são dois entre demais fatores que de pronto usamos para explicar uma breve e talvez doce vida. O chamado ‘comportamento de risco’, que engloba muitas outras questões, costuma adicionar à vivência, principalmente juvenil, uma carga de fortes emoções que, quando dão certo - ou seja, não terminam na morte -, leva os hormônios a mil por hora fazendo a alegria de todo o corpo, da cabeça aos pés, e isso resume uma das premissas do viver, que é a obtenção constante do prazer e o descarte persistente do desprazer, da dor que o sofrimento causa dentro de nós.

Erros e acertos, sorte ou azar, menosprezo ou atração pelo perigo são perspectivas que se alternam durante os acontecimentos de cada vida e de cada um; são parâmetros para entender como encaramos, ano após ano, nossa escalada no ofício de viver até o último suspiro. A ‘adrenalina’ de se permitir colocar nessas variantes a cada passo é uma constante na vida jovem.

Mc Kevin e outros tantos, por certo, em algum momento, perpassaram por algumas destas.

Sem julgamentos. Aqui, apenas as faces da mocidade da era em que vivemos, como se ainda brincássemos sem saber o dia de amanhã, se o sol voltará e sua energia nos recarregar.

Últimas