Coronavírus

Eduardo Olimpio Grita-se por um planejamento e visão do prioritário

Grita-se por um planejamento e visão do prioritário

A pergunta que não precisaria de resposta: há necessidade de decreto para estipular educação como serviço essencial?

Profissionais da educação não podem ficar de fora da vacinação contra a covid-19

Profissionais da educação não podem ficar de fora da vacinação contra a covid-19

Joédson Alves/EFE - 10.03.2021

Não é de hoje que ouvimos falar sobre as consequências, já razoavelmente mapeadas e conhecidas - e as que virão ainda –, surgidas na esteira dessa pandemia que assola a calota terrestre via camada atmosférica. Muito se estuda sobre os desdobramentos do contágio de proporções transcontinentais nas mais variadas áreas de atuação humana e, como já tratado aqui e noutras tantas andanças textuais, o campo da educação não poderia ficar de fora. E em duplo sentido.

No aspecto setorial apenas, o impacto na educação se dá por todo canto. O planejamento é a espinha dorsal que vem se vergando de tempos em tempos para dar conta do abre e fecha dos estabelecimentos de ensino privados e públicos. Haja manejo e traquejo para lidar com grades, afastamentos de profissionais da educação por covid-19 e demais males que afetam o cotidiano de salas de aulas, corredores, cozinhas, almoxarifados, banheiros, salas de professores, laboratórios, bibliotecas e de informática (quando há) e demais dependências. Isso sem falar em salubridade, equipamentos e itens de limpeza, gestão de terceirizados, jornada, tudo junto e misturado como de fato é quando o raio-x é revelado.

E ao analisarmos com uma teleobjetiva noutra perspectiva, o que se vê é uma zona sombria que começa a se formar diante dos nossos tristes momentos de observação. Como relatado anteriormente aqui neste espaço, há pessoal muito interessado em pesquisar e saber a quantas anda a relação ensino/aprendizagem nas escolas no infantil, fundamental, médio e superior.

E um certo frio na barriga acomete aos que se preocupam com isso para além dos pais e pensadores da Educação (os governos e a sociedade toda deveriam estar nessa massa crítica, mas...) quando lançamos a lente para mais adiante e percebemos que há uma nada desprezível chance de acharmos ‘buracos negros’ que, em vez de tudo sugarem para dentro de si, serão vistos como grandes aglomerados de pessoas com formação porosa e sendo cobradas para darem conta do que teremos lá pra frente.

Mas, como o raro leitor deve estar se perguntando, em que termos se dará isso na prática, ou seja, se a escola dos anos 2020 foi o que foi, assolada por uma peste de amplitude transnacional e, mesmo antes, ao menos no âmbito público brasileiro com raríssimas exceções, já patinava nas avaliações internas e internacionais escancarando graves problemas de formação docente, de currículos defasados e sucateamento de infraestrutura e salários baixos, o que, olhando lá da frente do tempo, deveria ter sido feito para não termos esse quadro negro que ora surge?

A resposta provável é a de que deveríamos ter considerado estratégico, de forma natural e inteligente, o setor da Educação da creche a pós-graduação, bem como inalienável, inadiável e indispensável. Simples assim, sem ter precisado de normatização ministerial ou decreto regional. Bastaria, e disso tenho certeza, ter priorizado a Educação com todas as suas variáveis para ter acesso irrestrito à vacinação em larga escala, de forma, organizada e célere, para o bem social coletivo e individual. E no meio desse caos educacional tem gente que ainda sonha com reforma constitucional para desobrigar entes federativos a investir os atuais 25% constitucionais do orçamento em educação pública.

Ainda choraremos até não sei quando pelos mortos e, da mesma forma, derramaremos lágrimas pela simples demora em entender e enxergar o óbvio, que é o atendimento às questões da saúde dentro da educação. Infelizmente aspectos políticos e casuísticos eleitorais pautaram até então nossa catástrofe, e o que é importante como a história, a experiência da vacinação em massa e o olhar aprumado e estratégico para o presente e futuro que inclui forçosamente cuidar da educação ficaram de fora da cena.

Para finalizar, parece que uma reação favorável começa a ser construída em estados e municípios a fim de garantir condições para que as escolas voltem a funcionar. Tomara. Cada etapa e tempo ganhos podem ser subtraídos daquele futuro apocalíptico cheio de espaços vazios de conteúdo.

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