Eduardo Olimpio Homossexualidade e heterossexualidade em coexistência

Homossexualidade e heterossexualidade em coexistência

Evoluir, civilizar e respeitar são verbos que devem, mutuamente, entrar no radar das discussões sobre a sexualidade de todos nós

O governador Eduardo Leite

O governador Eduardo Leite

Valter Campanato/Agência Brasil -23.10.2019

A sexualidade humana e suas múltiplas características que se manifestam no seio – com o perdão do trocadilho - das relações dos corpos, de forma solitária ou não, nunca deixou de ser, seja em que época queiramos focar, um ponto de encontro do prazer que acontece na exploração dos limites do corpo, ou porta de entrada à inspiração para nos nutrir (ou esbaldar) no que há de mais inato dentre as naturezas do Homem. Também alimenta nossos polos sensoriais e a imaginação, tanto a voltada para a criação de histórias ou situações acerca dela quanto a que dá asas a fantasias ou desejos, realizáveis ou não.

Essa ocorrência, em menor ou inexistente grau em pessoas assexuadas, é e sempre foi fluída e necessária, digamos assim, quando observada em homens e mulheres que, ao se entregarem à intimidade sexual, invariavelmente experimentam o clímax para deleite mútuo (que não incide em 100% das relações sexuais, diga-se) e, dessa vivência sexual, pode-se ou não instrumentalizar a reprodução humana, misturando as células sexuais (gametas) para fazer nascer outro ser humano em 9 meses.

Acontece que nem tudo é tão ‘receita de bolo ‘assim quando falamos em sexualidade ou, recortando, em heterossexualidade. A homossexualidade, desde que o mundo é mundo, ocorre quando pessoas do mesmo sexo se relacionam intimamente. Mesmo sem gerar descendentes, a prática sexual entre dois homens ou entre duas mulheres expõe uma face da experiência humana no campo sexual inegavelmente presente nas mais variadas culturas, etnias e geografias. Mas é aceita?

Ora sim, ora não, na história a relação sexual entre iguais vem desafiando conceitos e legislações que esticam ou retraem as liberdades de quem, na homossexualidade, está inserido como parte e nela se reconhece. A variedade nela é plural e denominativa, e não ouso delineá-la porque é certo que o dinamismo das classificações anda rápido. Portanto, as variáveis demandam ir atrás do conhecimento para sabê-las e respeitá-las.

O importante, creio, é aprender e perceber que ninguém é melhor ou pior do que ninguém pela identidade de gênero ou orientação sexual com a qual se identifica. Ou seja, há que se pautar pela civilidade na convivência, repito, convivência, que faz de mim igual a você no direito à vida onde ela fruir.

Quando um comunicador das massas como Sikêra Jr. emite sua visão de mundo a milhões de pessoas usando um canal de televisão, ele influencia uma parcela preponderante dessa multidão de ouvidos e olhos. Se essa opinião induzir ao preconceito sexual em relação aos homossexuais, por exemplo, pode eventualmente avalizar não apenas uma dispensável crítica pela crítica ao modo como certas pessoas se relacionam sexualmente, mas engatilhar uma atitude popular em que o ódio aos gays se acenda de tal maneira a ponto de inflamar espíritos de porcos a acabar com eles, matar até, a depender do grau de voracidade estúpida que não resolve nada, até porque não há nada a resolver.

Quando um governador de estado como o Eduardo Leite se assume homossexual perante uma sociedade inteira, para além de se avaliar eventuais estratégias políticas que podem ou não dar certo nos prazos pensados (se assim foi planejado), presta um serviço psicossocial interessante no qual as classes homoafetivas se empoderam perante uma população de perfil hostil que, num primeiro olhar, tenderia a repudiar atitudes dentro dessa esfera sem entender que um fato (sexualidade) não deve(ria) interferir no outro (gestão). 

O caráter de cada pessoa independe de como ela se reconhece dentro da inesgotável fonte da sexualidade humana. Muitos estudaram e ainda estudam o tema e isso é importantíssimo para nos ajudar a compreender e libertar amarras sem romper o respeito a crenças e valores próprios.

Compreender a sexualidade, entre outras coisas, nos ajuda a pacificar a coexistência e prosperar em comunhão. Assim, juntos, evoluímos.

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