O povo de sempre a cada nova eleição

Trabalhar sério pela cidade e pessoas que a fazem é tarefa perfeitamente ‘prefeitável’ mesmo com oposição legislativa; basta querer dialogar 

Segundo turno em São Paulo será entre Covas e Boulos

Segundo turno em São Paulo será entre Covas e Boulos

Montagem/R7

Hoje à noite acontecerá o primeiro debate eletrônico (CNN, a partir das 20h, pelo canal, site, youtube e twitter) entre os dois candidatos a prefeito que passaram para o segundo turno em São Paulo. Bruno Covas, atual mandatário paulistano, concorre no próximo dia 29 de novembro à reeleição ao cargo tendo como adversário Guilherme Boulos. Duas visões diferentes de gestão da maior cidade do país. Não gosto muito de nomear Sampa como sendo também a mais importante, pois essa relativização se faz necessária quando consideramos pontos de vista, blocos de análise e áreas consideradas na discussão.

Em que pese a proeminência do município no PIB nacional, é na política que o foco agora está centrado. Sem o apoio do presidente da República (o candidato preferencial do Palácio do Planalto era Celso Russomanno), a capital paulista vai decidir dar continuidade ao PSDB com eventuais apoiadores a serem buscados após o pleito do último dia 15 ou mudar com um PSOL que contará com algumas adesões mais no campo da esquerda para lutar pela cadeira.

A possibilidade da alternância do poder é, dizem os especialistas, umas das marcas da democracia, uma benesse que ‘vacina’ o sistema contra hegemonias nem sempre amigáveis às sociedades por elas governadas. Mesmo que fossem bons, alguns excessos haveriam de ser notados em longevos mandatos e seus respectivos donos. Provavelmente o debate de ideias e a participação social, as renovações das ferramentas de gestão, as atualizações tecnológicas, os eventuais vícios do funcionalismo, os projetos de educação e demais áreas, e a própria administração pública em si, estariam comprometidos.

É salutar lembrarmos sempre que, em meio a tantos descalabros políticos com bandidos travestidos de representantes populares, corrupção, desigualdades de oportunidades na ascensão econômica e social, há uma peça importantíssima nesse tabuleiro que só vira rei durante a vigência do calendário eleitoral. Sim, o povo, este substantivo simples e quase sempre abstrato, mas composto de marias e joões que nunca vivenciaram suas majestades de fato.

Aqui em Sampa, pós-ditadura, passamos não como soberanos atemporais, mas como súditos muitas vezes, pelo janismo e o malufismo, pelo petismo e a social democracia em alternados mandatos, em meio à políticas públicas que ora edificavam a cidade e sua gente, ora eram expurgadas como peste, sobrando para o povo o amargor de desmandos fora de sintonia com seus mais legítimos anseios ou necessidades cidadãs. Isso com custos sociais, ambientais e financeiros coletivizados e mais acentuados às classes materialmente desfavorecidas. Nada de novo nisso, mas é sempre bom ler e se lembrar.

Em um primeiro turno, dever-se-ia votar naquele ou naquela que melhor nos parecesse exercer o cargo de prefeito. Sendo curto e grosso, não caberia divulgação de pesquisa eleitoral nesse momento, o que só tira a legítima opção do eleitor fosse qual fosse, este pobre coitado que corre para um lado ou para o ouro sem poder exercer sua real vontade, em muitos casos. Em um segundo turno, a coisa muda. São dois que serão ‘julgados’ e que dispõem de tempo igual em rádio e televisão. Já nas redes sociais...

Que Boulos ou Covas seja sensível ao ponto de ônibus escuro e mal sinalizado, se desloque pela city por meios de transportes variados, ouça as demandas e as implemente porque são necessidades humanas, coloque luz pública nos cantões e penumbras, passe umas poucas noites e coma de vez em quando num abrigo para sem-teto, salve algum criado-mudo, fotografias de família ou a geladeira de um ou alguns pontos de enchente, seja atendido numa UBS pública em tempo de não piorar o quadro de saúde já debilitado e não tenha a bandeja de suspensão de seu carro ou seu tornozelo avariado por um buraco fácil de se encontrar a cada metro em qualquer tipo de (não) pavimento, entre outros anseios.

Desejo boa sorte aos dois; mais aos governados.

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