Pela ideologia única do gênero ambiente

Ainda dá tempo de retirar as visões ‘de esquerda’ e ‘de direita’ da política para cuidar, com uma só, e central, da essência da vida 

O meio ambiente existe antes da política, mas insistem em ideologizar algo ‘indeologizável'

O meio ambiente existe antes da política, mas insistem em ideologizar algo ‘indeologizável'

Márcio Fernandes de Oliveira/Estadão Conteúdo - 21/06/2012

Vivemos por muitos milênios em meio aos arbustos, nascentes e aos sabores da natureza na sua mais pura forma e amplitude. Espécies animais que puderam ser domesticadas, outras não, cruzavam nosso caminho e, com sorte de um lado ou de outro, um não virava comida nesses encontros.

Chovia de acordo com as dinâmicas próprias dentro de ciclos estabelecidos e o sol fazia-se luz e calor onde o planeta, por suas características no formato e de rotação, permitia. Nevava onde nevava, e os desertos se estabeleciam, digamos, onde deveriam. Traços de poluição? Não sou especialista, mas intuitivamente posso listar como agentes poluentes remotos os dejetos animais (os nossos inclusos, claro) ou cinzas vulcânicas. Nada de fralda descartável, copinho plástico, óleo diesel queimando ou pneu no leito de algum rio.

Faço esta simplória retórica para afirmar que o tal meio ambiente existe desde sempre e, mesmo estando aqui antes da política, insistem em ideologizar algo ‘indeologizável’. O fato de linhas de pensamentos diferentes entre si tentarem cooptar o cuidado com a natureza como se fosse somente prerrogativa sua, causa um embaraço no manejo ambiental que só serve aos que dela querem se aproveitar imoralmente.

O Brasil, por obra do acaso, é parte visceral de toda uma cadeia de ecossistemas que se encontram em território nacional e, muitos destes, afloram para além das fronteiras secas e marítimas. O que acontece aqui repercute biodinamicamente no estrangeiro e, claro, na política ambiental também.

Autoridades dos diferentes níveis de poder sabem de suas atribuições constitucionais e devem exercer o que está escrito na lei com relação aos cuidados estatais (não são cuidados de governo de plantão) para com o meio. Este, por sua vez, não está isolado, longe da grande maioria da população. Está na terra indígena, na lavoura e na salina em alto mar, claro, mas encontra-se também na horta de casa, no asfalto, no parque urbano, na calçada, no aterro sanitário. Em todo lugar, sendo direto.

Há uma lógica em curso para lá do capitalismo que se sobrepõe a quaisquer poderes políticos, arbitrários ou escolhidos. Parece que nos atuais momentos a sociedade dita organizada está se dando conta de que não haverá mais espaço nos negócios se não houver uma real ação política de preservação ambiental, que acaba sendo moeda de troca sem que isso fosse necessário, se tivéssemos, a humanidade, feito o dever de casa. Aliás, a única casa que temos até então. Colônias extraterrenas já saíram das pranchetas e da ficção e estão nas pesquisas de campo em estágio avançado, o que não anula nossa urgente tomada de consciência quanto ao lixo que produzimos, o ar que contaminamos, a água que apodrecemos diariamente. Etecetera, etecetera, etecetera.

Sabe-se lá mais o que inventaremos para nos destruir e acabar com tudo ao redor. Temos todas, repito, todas a condições e o conhecimento até então acumulado para dar outro rumo àquela mesma natureza dos primórdios, mesmo usando bens de capital. Só devemos racionalizar, reaproveitar, investir para valer em novas fontes de energias renováveis e parar de jogar fora as coisas.

Para finalizar, não sei se te contaram a verdade, mas não existe essa coisa de ‘jogar fora’. Fora onde, cara pálida...?

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