Bolsonaro, a marionete de Silas Malafaia

Silas Malafaia se tornou oficialmente o mestre de Jair Bolsonaro. Controlando as cordas do presidente, tenta mostrar que a alma de Bolsonaro está dominada pela escuridão dos seus desejos. 

Bolsonaro virou o bonequinho de Silas Malafaia

Bolsonaro virou o bonequinho de Silas Malafaia

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A vida política é feita de ações e relacionamentos. E é justamente um destes relacionamentos que tenho observado bastante e que vamos analisar hoje.

Faz tempo que Bolsonaro tem tara pelo eleitorado evangélico. Tido como mais a direita nos costumes e, sabendo que a igreja católica sempre atuou mais próxima da esquerda brasileira, Bolsonaro, desde o começo, sempre buscou proximidade de fala com este extrato eleitoral. Por estratégia mesmo e não crença verdadeira. Ainda que não tenha nada de cristão, Bolsonaro usa diversas ferramentas para se comunicar com estes. De pulseira citando João 8:32 a discursos inflamados dizendo que irá indicar um ministro terrivelmente evangélico para o STF, Bolsonaro vai se equilibrando, de forma cada vez mais instável, neste meio.

Importante lembrar que é difícil entender alguém se dizer cristão e apoiar a ditadura. Lembro aos que lêem, que Jesus foi o torturado mais conhecido da história. E em contrapartida a esta agressão inominável, ele pregava AMOR. Não me recordo de Jesus segurar uma criança e colocar em suas mãos uma arma. Ou mesmo não se importar com vidas perdidas. Enfim, cada um é o cristão que merece nesta terra. É tudo por tudo. Dentro do meio evangélico, Bolsonaro já correu para todos os lados pedindo apoio. Enganou quase todos. Mas um, repito, um “líder” evangélico tem se mostrado fiel, quase uma amante, considerando que o presidente da república é casado: Silas Malafaia.

Acostumado a só debater com gente sem o mínimo de retórica e conhecimento qualificados, Malafaia cresceu nas redes sociais iniciando seus vídeos com a frase: “Povo abençoado de Deus”. Sua verborragia e gritaria conquistou dezenas de milhares de cristãos frustrados e ele, de fato, se tornou uma personalidade reconhecida, sobretudo nas redes sociais. Dizem que no meio cristão, ele é chamado de Silas “Carminha” Malafaia, em referência a vilã da novela Avenida Brasil, que só fazia pensar em maldades, gritar e falar mal dos outros. Faz sentido.

Malafaia é o que podemos chamar de “falso profeta”. Aquele que usa a palavra das sagradas escrituras para benefício próprio e desviurtuamento da mensagem original. A auto idolatria que prega e a vaidade tornam Malafaia um personagem quase esquizofrênico. Fala de Deus, mas prega para si os pecados capitais. Mas vejam só. Em todos os seus anos de pregação, ele nunca deve ter imaginado encontrar uma marionete tão perfeita quanto Jair Bolsonaro. Explico.

Se aproveitando da pouca erudição do presidente. Não confundam falta de erudição com inocência. Bolsonaro é realmente um burro de carga, sem condições de tomar qualquer decisão. Aproveitando o fato de que Bolsonaro se considera um verdadeiro messias e de que Bolsonaro gosta de ser bajulado, Malafaia se auto declarou o decisor de quem será o próximo ministro do STF. Reparem. Nos últimos meses, Silas andou pendurado (para dizer o mínimo) em Bolsonaro. Viagens no avião presidencial, lives ao lado do “mito”, coletivas em que aparece atrás do presidente, almoços, tudo. Sem perceber, Bolsonaro se tornou o brinquedinho de Malafaia. Aquele boneco desengonçado que precisa de um pseudo senhor no controle de suas cordas.

Malafaia já peitou Alcolumbre, Fabio Farias, Ciro Nogueira e Flávia Arruda. Como se fosse ele o dono da faixa presidencial, já avisou que não aceita um nome que não seja por ele escolhido para o Supremo Tribunal Federal. O que a Carminha não percebe é que a política não aceita desaforos e traições. Sobretudo de gente que tenta se aproveitar do poder há anos sem a menor qualificação para tal. Bolsonaro já é visto como fantoche de Silas Malafaia há algum tempo. Virou a piada no meio evangélico e no Congresso.

O circo está montado. Bolsonaro é o palhaço em sua primeira apresentação (e sim, será demitido ao final do espetáculo) e Malafaia é o macaco amestrado acostumado ao show, com anos de picadeiro, que acredita mandar em alguma coisa (no caso em Bolsonaro), pois está sendo aplaudido, mas sempre será escravo das suas frustrações. A principal delas? Ser considerado no meio evangélico um líder pífio. 

Pobre dos cristãos que são liderados por gente da pior estirpe. Jesus estaria (ou está?) envergonhado de ver seu povo sendo conduzido ao inferno pelos falsos profetas.

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