Guto Ferreira Olimpíadas do Japão e o dilema brasileiro da cultura do fracasso

Olimpíadas do Japão e o dilema brasileiro da cultura do fracasso

Um país que se contenta em não crescer. Este é o Brasil. A maior potência olímpica desperdiçada do planeta. Aqui, ao invés de evoluírmos, preferimos debater o voto impresso. O retrocesso é a nossa pátria.

O dia 25 de julho, finalizado no Japão, já teve medalhas na Olimpíada. O skatista Kelvin Hoefler (foto) conquistou a primeiro prata e primeira medalha para o Brasil. Confira quais países fecharam o dia na frente na Classificação LANCE!, ranking que lista as nações por pontos, buscando tornar mais justa a contagem do quadro de medalhas. O ouro tem peso três, a prata tem peso dois e o bronze, um. Confira o top 25!

O dia 25 de julho, finalizado no Japão, já teve medalhas na Olimpíada. O skatista Kelvin Hoefler (foto) conquistou a primeiro prata e primeira medalha para o Brasil. Confira quais países fecharam o dia na frente na Classificação LANCE!, ranking que lista as nações por pontos, buscando tornar mais justa a contagem do quadro de medalhas. O ouro tem peso três, a prata tem peso dois e o bronze, um. Confira o top 25!

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No mundo da nova economia dizemos que o fracasso deve ser valorizado. Os aprendizados, os atalhos, as quedas, as experiências podem e devem nos fornecer mais insumos para atingirmos o sucesso. Como diz um amigo, Luiz Candreva, “Errar é ruim 100% das vezes Guto. Mas quem aprende com isso caminha melhor.”

No caso das Olimpíadas, o Brasil vive uma esquizofrenia interessante. É claro que devemos comemorar as medalhas. Aliás, bateremos o recorde da Rio 2016. É claro que devemos aplaudir a história de superação dos atletas brazucas, a maioria sem condições e apoio necessário para fazer mais do que já fazem. São guerreiros. Mas até quando ficaremos achando as histórias de fracasso lindas e maravilhosas e nada faremos como país?

Uma coisa é reconhecer o fracasso e buscar vencê-lo. É reconhecer o fracasso e decidir que não queremos mais isso e por isso iremos nos preparar mais. Outra coisa é só ver estas histórias e esquecê-las. Como país, o Brasil é uma vergonha no esporte. E não, não me refiro aos atletas e treinadores. Cansa brigar por 20 medalhas quando sabemos que poderíamos ter 50. Cansa ver o dinheiro sendo mal utilizado por algumas confederações. Cansa ver o desmonte na estrutura do esporte brasileiro e mesmo a pouca atuação do setor privado.

O esporte molda caráter. O esporte pode gerar muito dinheiro no mercado. Mas não pode ser só futebol. Vergonha. Aprendemos a torcer pelo surf, pelo skate, pelo arremesso de peso. Descobrimos tardiamente o salto com vara, o decatlon e o caiaque, o boxe, entre outros. O handebol é um exemplo clássico. É o esporte mais praticados nas escolas brasileiras. E sofremos para dar condições decentes para que se tenha uma continuação e uma transição para os talentos que podem ser profissionais.

As Olimpíadas do Japão vêem em um momento importante para os brasileiros. É o que está salvando a sanidade e a alegria em um país dividido pelo ódio, promovido por um líder temporário mentalmente perturbado e seus poucos asseclas barulhentos e que insistem em ameaçar a Democracia. Talvez, se tivéssemos investido maciçamente em educação (inclusive nas olimpíadas de matemática, física, aeroespacial entre outras) e em esporte, teríamos uma sociedade menos doente. Vai saber.

Já fracassamos muitas vezes como país, mas nunca estivemos tão perto de fracassar como sociedade. Até quando seremos apaixonados por permanecer no fracasso?

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