Jair Bolsonaro

Reforma do Judiciário e Bolsonaro na prisão

Não dá para ficar dando chances ao presidente da república como se isso não impactasse o dia a dia do brasileiro e a imagem do país. Chega. Bolsonaro precisa entender que ele não está no primário

A Brazilian flag is pictured during the second march of indigenous women to protest against Brazil's President Jair Bolsonaro in Brasilia, Brazil, September 10, 2021. REUTERS/Adriano Machado

A Brazilian flag is pictured during the second march of indigenous women to protest against Brazil's President Jair Bolsonaro in Brasilia, Brazil, September 10, 2021. REUTERS/Adriano Machado

Adriano Machado/Reuters - 10.09.2021

Vamos lá. Como chegamos até aqui? Como o STF virou o centro de um caos interminável de narrativas bolsonaristas? Um resumo apenas. Há quase 20 anos, devido ao clamor popular por mais TRANSPARÊNCIA, foi criada a TV Justiça, em 2002, para que o brasileiro pudesse acompanhar as discussões e decisões dos ministros do STF. Tudo pedido pelo povo, diga-se. Mas aí, em 2005, veio o escândalo do Mensalão, denunciado pelo então cúmplice do esquema, ex-deputado federal e hoje ídolo do bolsonarismo, Roberto Jefferson, e tudo ficou, digamos, estranho.

A partir daí, os ministros da Suprema Corte parecem ter gostado das câmeras. Assim como atores de novelas ou apresentadores de programas com alta audiência, tornaram-se estrelas e sob certo aspecto, ajudaram na polarização atual. Não que a análise jurídica tenha ficado de fora. Não. Longe disso aliás. Presenciamos diversos votos memoráveis, de Joaquim Barbosa a Celso de Mello. De Nelson Jobim a Ayres Britto. Mas acrescentou-se o componente da vaidade em cada sessão polêmica que acontecia no STF, transmitida para todo o Brasil. Sob este ponto, sem a menor sombra de dúvidas, precisamos (o Congresso Nacional) debater e até mesmo propor uma reforma do judiciário brasileiro. Veja, reforma é muito diferente de extinção, fechamento. Os ministros deveriam ser mais discretos. Não há dúvida sobre isso.

O problema é que isso não pode ser feito de forma apressada agora. Por um motivo simples. Não se faz isso com o país pegando fogo, ateado pelo próprio presidente da república e sua turma de malucos funcionais. É preciso ponderação e moderação para um assunto como este. Sem que se perca o senso de urgência e a seriedade. E sim, garanto que temos atores dispostos e com competência para este tema no cenário nacional.

Isso não muda o fato de que Bolsonaro precisa ser parado. E definitivamente. Dentro das normas legais. Sempre. A tal da carta à nação, publicada ontem, dia 09/09 e redigida pelo constitucionalista e ex presidente do país, Michel Temer é obviamente paliativa. É como se você estivesse fervendo leite no fogão e antes de derramar, você baixasse o fogo. A questão é que em algum momento você precisa desligar o fogão. E não é isso que Bolsonaro quer.

Bolsonaro não acredita em uma linha da carta que leu. Prova é que termina o texto (seu toque pessoal na carta) com as palavras que definiram o movimento integralista brasileiro, fascista por definição. A verdade é que foi enquadrado e não deve ter dormido bem esta noite. O que aconteceu no dia 7 de setembro foi um teste discursivo e de atividades para o que virá em 15 de novembro. Se Bolsonaro não seguia as regras enquanto capitão do exército brasileiro, imagina enquanto presidente da república.

A falsa ilusão de que ele pode retomar uma sanidade mental ou a competência que nunca teve e liderar o país em uma retomada econômica, onde o preguiçoso e incompetente ministro da economia Paulo Guedes sequer tem um plano para isso, é o mesmo que acreditar na Fada do Dente. Simples assim.

Bolsonaro merece a prisão.

Todos sabemos disso. Todos os de bem. Todos os que têm uma moral clara. Todos os que compreendem conceitos éticos. Figuras que mais parecem saídas do livro de Apocalipse, na Bíblia, como Zé Trovão, Malafaia, Carla Zambelli, Rodrigo Constantino, Onyx Lorenzoni, Steve Bannon e Roberto Jefferson permanecerão incitando ódio, Fake News e insanidade gratuita. É como se os selos fossem abertos ao mesmo tempo, como punição ao povo brasileiro. E eles são parte da espinha dorsal do presidente da república. 

Volto a dizer. Não houve recuo sincero. Houve arrego obrigatório. Houve, pela primeira vez no país, um governo chamando uma manifestação de caminhoneiros, sabotando a própria economia brasileira e promovendo o caos. Assim como Nero, a cabeça de Bolsonaro só entende a lógica da destruição, da mentalidade tacanha e da elocubração do mal. O mal na sua essência.

Ele não merece nenhum afago. Merece o peso da justiça. Da vigilância constante. De bom mesmo apenas o fato de que parece termos ganho alguns dias de tranquilidade e quem sabe mais um possível candidato pacificador da 3ª via: Michel Temer.

O povo brasileiro merece paz.

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