Inflação

Um nanico liberal chamado Paulo Guedes

Uma das maiores esperanças do mercado financeiro no governo, Guedes fracassou. O ego em "V" foi colocado acima dos princípios e o poder acima de tudo virou mantra no destelhado Posto Ipiranga

  • Guto Ferreira | Do R7

O ministro da Economia, Paulo Guedes, arruma o óculos durante fala na 31ª edição do Fórum Nacional realizada em 10 de maio de 2019, na sede do BNDES, no centro do Rio de Janeiro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, arruma o óculos durante fala na 31ª edição do Fórum Nacional realizada em 10 de maio de 2019, na sede do BNDES, no centro do Rio de Janeiro

wilton Junior / Estadão

Vamos direto ao ponto. Paulo Guedes é uma mentira. Deu errado. Ponto. Um falso liberal que esconde sua incompetência atrás de metáforas e das regalias que se recusa a abandonar. Com o dom de explicar tudo como se estivesse em sala de aula, Guedes foge de explicar a tragédia de sua gestão. Também tenta fugir da Câmara Federal para explicar o caso da sua offshore. Mas por quê Paulo Guedes é assim?

Desprezado no meio acadêmico, seja pela PUC Rio ou pela FGV Rio na década de 80, cultivou anos a fio (até hoje) o sentimento de raiva por outros colegas que atingiram a maioridade em notoriedade e reconhecimento antes dele, como Persio Arida, Pastore, André Lara Resende, Elena Landau (que foi aluna de Guedes) entre outros. O Paulo Guedes de hoje não se parece em nada com aquele que criticava o Plano Cruzado e que defendia a diminuição do Estado. Ao contrário. Hoje, vem dele e de sua equipe (ao menos o que sobrou da original), as saídas para o descalabro governamental e a tragédia econômico social que o Brasil enfrenta.

Guedes, formado no pensamento da Escola de Chicago da década de 70, conheceu vários dos economistas que fizeram o milagre econômico chileno, durante a ditadura de Augusto Pinochet. Interessante observar que além de ter dado aula lá neste período, em entrevista à revista Piauí, para a jornalista Malu Gaspar, o grande liberal e defensor das liberdades Guedes afirmou: “Eu sabia zero do regime político. Eu sabia que tinha uma ditadura, mas para mim isso era irrelevante do ponto de vista intelectual.” - Isso mesmo. Para Guedes, uma ditadura é irrelevante do ponto de vista intelectual. 

Já no poder, como o todo poderoso ministro da economia, Guedes apresentou resultados pífios, com uma equipe preguiçosa e um discurso apenas otimista, como se fosse movimentar a economia brasileira e os setores produtivos apenas "dando aula". Mesmo agora, não se tem um único plano para uma retomada econômica. Não é talhado nem para a área acadêmica, onde sempre foi piada, nem para a área pública, onde se mostrou completamente inepto. Mas continua lá. Por quê?

As hipóteses são muitas, mas algumas já conseguimos perceber.

Primeiro, pelo EGO. Viu todos os seus desafetos chegarem ao poder enquanto ele estava na periferia dos grupos dominantes no meio econômico da academia. Para ele, ser ministro agora é como uma reparação histórica. Pena que está dando muito errado. Segundo, porque mesmo que saiba que seus resultados são absolutamente risíveis, ele gostou do poder e de suas regalias. Aos 72 anos, está curtindo seu momento Peter Pan. Se quiserem, que o demitam. Ele vai surfar nesta onda até o final. E terceiro, porque sair agora seria o mesmo que assumir sua incompetência (o que todos já sabem). 

É bom lembrar que Paulo Guedes representa um pensamento morto na famosa Escola de Chicago. As novas teses, como Economia Comportamental, representada pelo prêmio Nobel de Economia Richard Thaler, passam longe dos manuscritos de Guedes. Parou no tempo e espaço, se contentando em defender sua cadeira, suas regalias e protegendo as "criaturas do pântano" que habitam seu ministério. 

Paulo Guedes também nutre outras duas obsessoes. A primeira é um ódio injustificável contra a indústria nacional. Por ele, que quebrem quase todos e apenas os sobreviventes devem ter a sua atenção. Ainda que a indústria seja responsável por boa parte dos impostos arrecadados pelo governo federal, Guedes abomina este setor produtivo.

A segunda, e aqui é um palpite, é que Guedes tem o desejo mórbido, sombrio e revanchista, de acabar com o Real. Sim, a nossa moeda. Deixar o Real desvalorizar, a ponto de se inviabilizar como moeda, ainda que o país sofra (e é o que está acontecendo), faria com que uma das mais importantes criações da área econômica no Brasil, trabalhada por seus adversários das décadas de 80 e 90, fosse enterrada. Uma vingança quase perfeita. 

E por quê não seria perfeita? Simples leitor. Porque o Real deveria ser preservado a todo custo. Uma conquista para todos os brasileiros. Uma conquista de Estado e não de governo. Paulo Guedes mente dia após dia, mas hoje, nem o mercado financeiro acredita mais nele. Por trás da pose de ministro de estado, de economista, bla bla bla e do tom professoral, existe um adulto indefeso, traumatizado, que cultiva as mágoas do passado e entrega ao Brasil um resultado desatroso. Certa vez, Milton Friedman, um dos modelos de Guedes e do liberalismo moderno (inclusive meu) disse:

"Um dos maiores erros é julgar os programas e as políticas públicas por suas intenções e não por seus resultados."

Paulo Guedes virou Paulinho "Gógó". Reprovou. O discurso não bate com a prática. Se apequenou e assumiu sua condição de nanico liberal.

Fala Pessoal. Texto novo no ar. Espero que gostem. Feedback sempre bem vindos.

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