O presidente histriônico

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                               Governar é contrariar interesses, já dizia um conhecido jornalista. Contudo o presidente vai além. Não passa um dia que não provoque uma polêmica e seja objeto de amplos espaços na mídia. Afinal ele está acostumado.  Viver no meio de polêmicas é uma característica de sua carreira política que culminou com a eleição para a presidência da república do Brasil. Nem bem assume o cargo e já desafia setores políticos e econômicos. Ninguém sabe com certeza se vai ou não cumprir o que prometeu na campanha eleitoral recheada de grandes comícios, especialmente nas maiores cidades do Brasil. O fato é que a população se engraçou com sua maneira de falar, os gritos que dá no microfone, com o grupo de papagaios de pirata que está em todas as  fotos, e votou nele. Com isso o histriônico presidente tem um mandato garantido pela constituição. Os jornalistas não podem reclamar da falta de assunto para as suas chamadas de capa. As vezes mais de uma por dia. Uma novidade na história política do páis.

                        O Congresso Nacional se articula para fazer oposição ao novo governo. Alguns aliados, chamados de traidores, passam da base aliada para a oposição e o chefe do executivo se vê na condição de não ter maioria no legislativo para aprovar os projetos do governo. A mídia acusa o presidente de estar tramando um golpe de estado e se tornar um ditador com o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. O que não se sabe ao certo é se tem ou não o apoio da Forças Armadas, que tem a experiência de ter derrubado um presidente da república no passado. Os generais, vez por outra, dão entrevistas e jogam mais lenha na fogueira. Há quem diga que a jovem democracia corre perigo.

                         Se não bastassem os problemas internos, arruma uma encrenca com o governo norte americano, que tem um presidente democrata que sucedeu a um repúblicano. O presidente em uma cerimônia no Palácio da Alvorada recebe o líder guerrilheiro Che Guevara. O governo cubano desafia o Tio Sam com a expropriação das empresas americanas no seu território, coisa imperdoável para a hegemonia americana no Caribe. Jânio Quadros tem a pretensão de se tornar um líder mundial do terceiro mundo. A crise política e econômica se aprofunda dia a dia e Jânio põe em marcha o plano de ser um novo Nasser, ditador do Egito, a quem admira. Manda o vice visitar a China Comunista e apresenta uma carta de renúncia. Parte para São  Paulo onde espera obter o apoio do governador e voltar à Brasília nos braços do povo. Conseguirá?

Heródoto Barbeiro é jornalista da Record News, Portal R7 e Nova Brasil fm.

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