Presidente ou treinador?

Maracanã lotado

Maracanã lotado

André Morão/Estadão Conteúdo - 27.11.2013

                                                    Há uma tradição no Brasil de que bater o penalti em um jogo de futebol decisivo é tão importante que deveria ser feito pelo presidente do clube. E que na Bahia há tanto santo ajudando os times que o campeonato acaba empatado. São afirmações consolidadas ao longo do tempo em campeonatos e na criatividade dos poetas dos microfones esportivos. Contudo não se aceita que o presidente da república interfira no time mais importante e icônico do país : a seleção brasileira de futebol. A mesma que no passado era chamada de seleção canarinho pelo seu belo uniforme amarelo. Mais uma licença poética. Escalar a seleção, escolher o treinador é quase uma decisão estratégia e geo política da nação. Mexe com os brios da república Não pode sofrer interferência política seja lá de quem for.

                                                                     No Brasil existem alguns milhões de “técnicos “, “treinadores “ ou “professores” suficientes para o trabalho de escalar a seleção. Não há a necessidade de mais um, ainda que seja o detentor do poder executivo. Os boleiros sabem de cor a escalação do time, brigam quando os craques do seu clube não são escalados, apontam quem é o melhor técnico e palpitam até onde deve ser a concentração dos ídolos do esporte bretão. Ops, outra licença poética. Torcedores sabem de cor o nome de todos, a posição que jogam e alguma coisa sobre a vida pessoal de cada um. A seleção é motivo de bate boca de todo o tipo nos bares e no transporte público. As rivalidades se regionalizam e paulistas, cariocas, gaúchos e pernambucanos se destacam na defesa dos seus craques. Sabem o nome dos jogadores mas não dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que raramente é alvo de notícias na mídia, mesmo por que o clima político vivido no Brasil não abre espaço para manifestações e divergências. Talvez no futuro isso mude.

                                                                   Vestir a camisa da seleção é uma honra para poucos. Um gesto de nacionalismo, exaltação da pátria e por aí vai. Tudo devidamente turbinado pelos narradores esportivos, uns mais exaltados que outros. E este não é um fenômeno exclusivamente tupiniquim. Los hermanos são mais aguerridos. O número de bons jogadores é imenso e se forem escolhidos só os craques, é suficiente para formar o time titular e o reserva. Diante disso por que o presidente se mete e além de desqualificar o treinador ainda quer indicar um jogador ? E logo o centroavante ! João Saldanha peita o chefe do executivo e diz que quem escala o time é ele. Presidente escala o ministério. O Brasil vive o auge do regime militar e o favorito de Garrastazu Médici é o Dadá Maravilha. Isto só podia dar um bate e rebate na área e todos os milhões de especialistas tinham suas próprias preferencias. Cai João, sobe Zagallo. Pelé, Garrincha, Gérson, Tostão e cia formam o melhor time de todos os tempos. E conquistam o tricampeonato do México em 1970.


• Heródoto Barbeiro é comentarista da Record News, Portal R7 e da Nova Brasil fm


Heródoto Barbeiro – Professor e Jornalista
Palestras e Midia Training
www.herodoto.com.br

Últimas