A chegada a Marte no futuro e as questões do dia a dia no presente

Expedições como a da sonda Curiosity, que enviou novas imagens do planeta, instigam descobertas mas mostram importância dos 'pés no chão'

Arte/R7/Matheus Vigliar

Qual o sentido de atravessar 230 milhões de km, enfrentando a ausência de gravidade e o risco de se perder no infinito e se afogar no invisível, no insondável, na imensurável massa que transforma planetas em grãos de areia?

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Chegar a Marte é um desafio que, ainda que revele uma saudável ambição do homem, expõe a sua humildade. É preciso ter pés no chão e noção das limitações para não se perder em tamanha empreitada.

É nos laboratórios que se estuda os movimentos do cosmos, que se valoriza os detalhes, que se respeita as regras da termodinâmica, da ótica, da acústica, do magnetismo.

A valorização do detalhe, a tentavia e o erro fazem parte do crescimento. Foi por aí que as descobertas se apresentaram.

No dia a dia, tem faltado na Terra uma curiosidade que mergulha não só nos universos allheios, mas no interior de cada um. É um vazio que nos coloca fora de nossa própria órbita, muitas vezes sem nem mesmo percebermos. 

A busca por chegar a Marte pode servir como um estímulo contra essa acomodação rotineira. É uma maneira de ampliar o foco e abrir possibilidades para encontrarmos vida em outros lugares. Que podem espelhar soluções por aqui.

Existem aqueles que trabalham para isso. Desde 6 de agosto de 2012 em território marciano, a sonda Curiosity foi preparada pela Nasa para acumular o maior número de informações sobre Marte e, com isso, dar as diretrizes para que uma expedição tripulada chegue lá. A expectativa é de que seja na próxima década.

Enquanto isso não ocorre, a sonda aparenta estar à vontade, adaptando-se com facilidade à atmosfera inóspita e parecendo não demonstrar saudade da Terra.

Em Marte, afinal, apesar dos perigos dos raios cósmicos, ainda não há notícia sobre a existência de um coronavírus.

A sonda atua sossegada, portanto. Longe das neuroses da Terra e onde a dimensão do tempo é outra.

Nesta semana, enviou imagens inéditas do distante planeta, em alta resolução, dando um toque de realidade sobre algo que antes era apenas fonte da nossa imaginação.

O local mostrado é uma região próxima ao Monte Sharp, chamada "Glen Torridon", conforme informações vindas do JPL (Jet Propulsion Laboratory) da Nasa.

As imagens viajaram pelo tempo e pelo espaço, se equilibrando na imensidão etérea do universo.

Até chegarem a nós que, "pra variar estamos em guerra". Mas já podemos compartilhá-las pelo WhatsApp.

Afinal, também temos descobertas por aqui. Sim, o universo mostra como o homem é grande dentro de sua pequenez.

Falta agora chegarmos pessoalmente ao Planeta Vermelho. Assim como descobrir novas vacinas. Para o coronavírus e para as doenças que fazem muita gente se restringir ao seu próprio mundinho.

Veja um vídeo com imagens captadas pela Curiosity em Marte