Como seria um encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un

A notícia sobre eventual encontro do presidente americano com o norte-coreano mostra o quanto o mundo mudou nos últimos anos

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Trump e Jong-un podem se encontrar em maio

Trump e Jong-un podem se encontrar em maio

Reuters

Não há paralelo entre o governo de Donald Trump e nenhuma outra administração dos republicanos desde que George Washington assumiu o comando dos Estados Unidos em 1789.

O atual presidente americano simboliza uma reação muito mais intensa à globalização acelerada pela qual o mundo passou nos último cinco anos. Com George Washington, essa globalização já começava a dar as caras, a partir da Primeira Revolução Industrial. Mas, logicamente, de forma muito mais leve, quase incipiente se comparada com a atual.

A notícia sobre um eventual encontro de Trump com o presidente norte-coreano Kim jong-un, em maio próximo, é mais um episódio que revela o quanto o mundo mudou rapidamente nos últimos anos. Países de menor representatividade geopolítica, como a Coreia do Norte, com uma industrialização mais voltada para o público interno, ganharam um poder de barganha muito maior em função da capacidade nuclear.

Nos anos 70, o tema em pauta era a reaproximação dos Estados Unidos com a China, um país de dimensão muito maior, num encontro que se assemelhava a um encontro de civilizações, calcadas em ideologias opostas.

Essa atual pulverização de nações, em vez de diversidade, tem em muitos casos provocado uma divisão de civilizações: a dos países islâmicos, em que uma minoria mais extremada alimenta o terrorismo e o ódio contra o Ocidente; e o próprio Ocidente, que se depara com os riscos de um materialismo consumista superar o apego pelos direitos humanos e a justiça social.

Nesse ambiente, se inserem a China e sua transformação em potência; a Rússia e o ressurgimento de seu nacionalismo; a expansão asiática; o surgimento dos emergentes e as questões de crescimento e desigualdade que envolvem os países da América Latina. A latinização dos Estados Unidos. A islamização da Europa. A onda de refugiados da África, resultado também da exploração europeia. As novas e velhas tensões no Oriente Médio. 

Não se sabe se haverá o encontro entre Trump e Kim Jong-un, cuja proposta foi intermediada por um emissário da Coreia do Sul e informada ao americano nesta quinta-feira (8). Mas só o fato de Trump, do alto de sua eloquência nacionalista, estar demonstrando preocupação com o discurso norte-coreano, país com um PIB mais de mil vezes menor do que o americano, mostra como as relações ficaram muito mais complexas. Não há mais apenas o conflito entre capitalismo e comunismo a marcar as diferenças entre nações.

Diante desses fenômenos, o ex-presidente Barack Obama procurou reagir promovendo a integração diplomática e econômica entre nações. Donald Trump foi um contraponto, excluindo a questão econômica nesta integração. E a diplomática também, em casos como o de Cuba.

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O estilo de Trump se distancia em vários temas da cartilha republicana: é protecionista, muitas vezes contrário ao livre mercado pregado por Ronald Reagan. Por outro lado, é conservador como Richard Nixon, que também tomou atitudes impopulares para conter o déficit de então, congelando salários, por exemplo. Trump, por sua vez, não quis o Obamacare. 

Para cada assunto ele tem uma postura, muitas delas surpreendentes por serem promessas de campanha que ninguém acreditava que seriam levadas adiante. Diante de um mundo em que semelhanças carregam tantas diferenças, tudo agora ficou novo.

Desconhecido. Deve ser por isso que Trump e Kim Jong-un insistem em expor seus lados excêntricos e histriônicos. É mais fácil, por serem seus lados conhecidos. Uma conversa entre os dois, após tantas ameaças nucleares, seria outra novidade tão inimaginável que, neste mundo frenético, provavelmente os deixaria inseguros inicialmente. Desarmados. É bem possível até que eles fiquem tímidos. O que seria mais uma surpresa, esta sim, a única certeza, para o bem da humanidade.

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