Nosso Mundo Dome tem mostrado que foi uma boa escolha do Flamengo

Dome tem mostrado que foi uma boa escolha do Flamengo

Estilo do treinador é diferente do de Jorge Jesus, mas ele tem mostrado muito envolvimento com o clube; contra o Inter, Flamengo foi superior

  • Nosso Mundo | Eugenio Goussinsky, do R7

Dome tem conquistado a afeição do grupo

Dome tem conquistado a afeição do grupo

Sérgio Moraes/EFE/21-10-20

Pode parecer que o Flamengo está menos eficiente com Domènec Torrent, o Dome, do que com Jorge Jesus. Mas, além das aparências e com as estatísticas que falam ao seu favor, Dome está caminhando para trazer benefícios ainda maiores do que Jorge Jesus ao futebol brasileiro. 

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Explico. O tal jogo posicional tem estimulado os jogadores a pensar, a entender seu papel dentro de uma equipe. E não apenas se movimentar na busca intuitiva de um espaço vazio. E, a partir do retorno do futebol na pandemia, algumas outras equipes começaram a evoluir, também espelhadas no Flamengo do ano passado.

O jogo contra o Inter, que terminou com o placar de 2 a 2, foi uma mostra disso. Aliás, as duas equipes merecem elogios, mas, do ponto de vista tático e técnico, o Flamengo foi superior ao adversário gaúcho. Perdeu inúmeras chances de gol, principalmente no segundo tempo, quando criou jogadas em ritmo alucinante, muitas vezes atacando com os dois laterais simultaneamente.

Com uma postura humilde, Dome parece que conseguiu conquistar a confiança, e até a afeição, do grupo, dos dirigentes, dos torcedores. Amável, se mostra paciente e envolvido no projeto de ter se aventurado no hoje estranho mundo do futebol brasileiro.

Não veio com aquele ar blasé de que na Europa tudo é melhor e de que essa passagem servirá de objetivo para alcançar patamares melhores.

Mesmo porque, em termos de dimensão, e não de dinheiro, claro, continuo achando que clubes como Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Vasco e por aí afora não perdem em importância ou tradição para os gigantes europeus.

Dome chegou respeitando as características do futebol brasileiro, justamente para colaborar e, se possível, modificar algumas delas para melhor.

E ele tem sabido usar o elenco com maestria, ao contrário do que falam os seus críticos. A partir do momento em que todos os 23 jogadores do grupo, conforme ele mesmo gosta de ressaltar, entendem seu esquema, fica mais fácil para a equipe manter o entrosamento, mesmo com mudanças.

Dome chegou sem exigências. Assim como sua equipe de auxiliares. Respeita críticas construtivas. Mostrou envolvimento com o clube ao propor morar no próprio Centro de Treinamento.

Não dá mostras de que pensa em usar o Flamengo para "voos maiores". Qual voo, afinal, pode ser maior do que dirigir o Flamengo?

Naquele período turbulento, em que foi goleado pelo Independiente del Valle em meio a um surto de covid e uma viagem "maluca", não se ouviu dele uma reclamação.

Até foi infectado pelo vírus. Em todo esse processo, alguém mais intempestivo poderia dizer, após deixar o estilo de vida da Europa para uma expedição ao país tropical: "O que é que vim fazer aqui?"

Dome, no entanto, mostrou serenidade e não se deixou levar por distorções movidas pela arrogância.

Ele sabe que o futebol brasileiro é confuso, mas, por outro lado, sair esbravejando não ajuda. E mais: pode ser injusto. Há muita coisa boa por aqui. Há talentos, há diversidade, há ritmo. E ele se mostra disposto a entrar na dança. Independentemente dos títulos.

E sabendo que pode levar uma rasteira, como tem sido bem comum por aqui, neste mesmo futebol brasileiro que ele está insistindo em respeitar.

Neste momento, com o início de Dome no Flamengo, fico me perguntando se profissionalismo de alto nível não tem que ter também uma dose de amor por um ideal. E acho que tem.

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