Putin busca fortalecer influência russa no Oriente Médio

Rússia se movimenta para evitar guerra e acomodar seus interesses na região

Putin analisa cenário ao lado de Assad

Putin analisa cenário ao lado de Assad

Sputnik/Alexei Druzhinin/Kremlin/Reuters/07-01-20

Houve um tempo em que, para a então União Soviética, armar adversários das potências ocidentais era o maior objetivo no Oriente Médio.

Isso ocorreu, por exemplo, na Crise de Suez, em 1956, quando Israel se aliou ao Reino Unido e à França para reabrir o estreito de Tiran, fechado pelo Egito do presidente Gamal Abdel-Nasser.

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Do outro lado, os soviéticos enviaram armamentos ao Egito, para se contraporem às forças ocidentais e não terem mais uma dor de cabeça, já que lidavam com a ameaça da perda de influência investindo pesado na repressão às manifestações anticomunistas na Hungria.

Os tempos mudaram e, na atual crise entre Estados Unidos e Irã, após o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani e de militares iraquianos, o interesse russo é justamente evitar a guerra para fortalecer ainda mais sua influência na região, sem a necessidade de se desgastar com tiros ou bombardeios.

Para tanto, o presidente Vladimir Putin tem procurado expor um lado moderador. Viajou, nesta terça-feira (7), para a Síria e, em encontro com o presidente Bashar al-Assad, reiterou o apoio ao governo, em um momento no qual um enfraquecimento do Irã poderia ser prejudicial ao equilíbrio até agora conquistado pelo governo sírio, após sangrentos combates na guerra local, com o apoio russo e iraniano.

"O Putin não tem interesse algum em conflitos ou guerras, ele quer realmente estabelecer a acomodação de influências regionais", afirma o professor Danilo Porfírio de Castro Vieira, especialista em Oriente Médio, da UniCEUB (Centro Universitário de Brasília).

A Rússia interveio militarmente na Síria, em setembro de 2015, permitindo a sustentação do regime de Assad. A partir desta data, o país intensificou sua presença na região, de uma maneira inédita em sua história.

Um dos pontos altos desta presença foi a assinatura de um acordo com o governo sírio, em 2017, para transformar o porto de Tartus em uma base naval russa pelos próximos 49 anos. Foi a primeira vez que os russos obtiveram uma base naval permanente no Mediterrâneo, para defender a região por meio de mísseis, algo que não aconteceu nem nos tempos da Guerra Fria.

"A Rússia hoje é governada na minha opinião pela pessoa mais perspicaz e inteligente no palco geopolítico, que é o Putin. A Rússia, e a China também, será uma força de contenção para qualquer ação direta norte-americana no Irã, como já foi demonstrado em outras ocasiões. A própria ação dita cirúrgica americana, ao assassinar Soleimani entre outros, foi inteligente por não desestabilizar relações com russos e chineses, já que não foi um ataque direto ao território iraniano ", observa Castro Vieira.

O objetivo de Putin, neste momento, é evitar qualquer alteração mais brusca, que possa desarrumar esse cenário próximo do ideal para a Rússia. Neste momento, portanto, o presidente russo mantém postura diplomática, dialogando com todos os lados nesta questão, incluindo as potências ocidentais, os israelenses, os sauditas e os iranianos.

Também preocupado em manter uma relação amistosa com a Turquia, após rusgas em função da aliança com o governo sírio, Putin se reúne nesta quarta-feira (8) com o presidente Recep Tayyip Erdogan, um dos grandes adversários de Assad.

O interesse russo também é estratégico, já que, também nesta quarta, será inaugurado o gasoduto Turk Stream, que transportará combustível russo para a Turquia, por meio do Mar Negro.

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